Levantamento da UFMG aponta que mais de 365 mil brasileiros vivem sem moradia; especialistas atribuem aumento à precarização econômica, déficit habitacional e insuficiência de políticas públicas
O número de pessoas em situação de rua no Brasil atingiu um novo patamar preocupante. Dados divulgados pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), revelam que a população sem moradia no país cresceu cerca de 88% entre 2020 e 2026.
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Segundo o estudo, o total de brasileiros vivendo nas ruas passou de aproximadamente 194 mil para mais de 365 mil pessoas no período analisado. O levantamento foi realizado com base em informações do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), principal banco de dados utilizado pelo governo federal para identificar famílias em situação de vulnerabilidade social.
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O crescimento reflete uma combinação de fatores econômicos e sociais que se intensificaram nos últimos anos. Entre eles estão os efeitos prolongados da pandemia de Covid-19, o aumento do custo de vida, a dificuldade de acesso à moradia e a fragilidade do mercado de trabalho para milhões de brasileiros.

Foto: Reprodução
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Embora tenha ocorrido uma redução temporária no número de pessoas em situação de rua durante os primeiros meses da pandemia, a tendência foi rapidamente revertida. Desde 2022, os indicadores apontam crescimento contínuo da população que depende das ruas para sobreviver.
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A Região Sudeste concentra a maior parcela dessa população. De acordo com o levantamento, mais de 222 mil pessoas em situação de rua vivem nos estados da região, o equivalente a cerca de 61% do total nacional.

Foto: Reprodução
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O estado de São Paulo lidera o ranking nacional, com mais de 150 mil pessoas vivendo sem moradia. Na sequência aparecem Rio de Janeiro e Minas Gerais, ambos com números superiores a 33 mil pessoas cadastradas nessa condição.

Foto: Reprodução
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Especialistas destacam que o aumento não pode ser explicado apenas pelo aperfeiçoamento dos registros oficiais. Embora o fortalecimento do CadÚnico tenha ampliado a identificação dessa população, a deterioração das condições socioeconômicas também contribuiu significativamente para o avanço do problema.
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Pesquisadores da UFMG apontam ainda que a insuficiência de políticas estruturantes nas áreas de habitação, trabalho e educação dificulta a saída das pessoas da situação de rua. Sem acesso a renda estável e moradia, milhares de brasileiros permanecem presos em um ciclo de exclusão social.
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Outro fator citado no estudo é o impacto das mudanças climáticas e dos deslocamentos forçados. Eventos extremos, como enchentes, secas e desastres ambientais, têm contribuído para o aumento da vulnerabilidade social em diferentes regiões do país.
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Representantes de movimentos sociais alertam que a fome e a dificuldade de acesso a serviços básicos continuam sendo desafios centrais. Mesmo com avanços em programas de transferência de renda, muitas famílias enfrentam dificuldades para arcar simultaneamente com despesas de moradia, alimentação, transporte e saúde.
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O perfil da população em situação de rua também revela desigualdades históricas. Estudos anteriores indicam predominância de homens adultos, baixa escolaridade e forte presença de trabalhadores informais ou desempregados, evidenciando a relação direta entre exclusão econômica e perda da moradia.
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Nas grandes cidades, o crescimento dessa população tem aumentado a pressão sobre os serviços de assistência social. Abrigos, centros de acolhimento e programas de atendimento enfrentam desafios para atender uma demanda cada vez maior.
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Governos estaduais e municipais afirmam ter ampliado investimentos em programas de acolhimento e segurança alimentar. Entretanto, especialistas defendem que ações emergenciais precisam ser acompanhadas por políticas permanentes voltadas à geração de emprego, qualificação profissional e acesso à moradia digna.
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Para pesquisadores e entidades que atuam junto à população em situação de rua, o combate ao problema exige integração entre diferentes áreas do poder público. Ações isoladas tendem a produzir resultados limitados diante da complexidade do fenômeno.
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Os números apresentados servem como alerta para o país. Mais do que uma estatística, as 365 mil pessoas que hoje vivem nas ruas representam um dos maiores desafios sociais do Brasil contemporâneo, evidenciando a necessidade de políticas públicas capazes de enfrentar as causas estruturais da pobreza e da exclusão urbana.
Créditos: CBN.
📝 Síntese da Matéria
📈 Aumento Alarmante: A população em situação de rua no Brasil cresceu cerca de 88% entre os anos de 2020 e 2026. O contingente de pessoas sem moradia saltou de aproximadamente 194 mil para mais de 365 mil em todo o país.
📊 A Origem dos Dados: Os números integram um levantamento realizado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua), vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com base nos registros do CadÚnico.
📍 Concentração no Sudeste: A região Sudeste abriga a maior parcela dessa população, concentrando 61% do total nacional (mais de 222 mil pessoas). O estado de São Paulo lidera o ranking (mais de 150 mil), seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais.
⚠️ Causas Estruturais: Pesquisadores atribuem esse avanço a uma combinação de fatores: efeitos econômicos prolongados da pandemia, aumento do custo de vida, déficit habitacional, fragilidade do mercado de trabalho e até os impactos de desastres ambientais extremos.
🏘️ Desafio Político e Social: O estudo evidencia o esgotamento da rede de assistência atual. Especialistas e movimentos sociais alertam que, para reverter esse cenário, os governos precisam ir além de medidas emergenciais e investir em políticas públicas permanentes focadas em moradia, qualificação profissional e geração de renda.
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