Por: Guilherme Gouvea

Publicado em

Vídeo: Brasileiros ligados ao Hezbollah preparavam ataques no Brasil, diz PF

Investigação aponta que prédios da comunidade judaica seriam alvos de ataques; duas pessoas foram presas.( Assista ao vídeo no final da matéria)

 

A Polícia Federal prendeu duas pessoas na quarta-feira (8) suspeitas de ligação com o Hezbollah no Brasil. A PF também cumpriu 11 mandados de busca em Brasília, São Paulo e Minas Gerais.
Segundo a investigação, os brasileiros preparavam atos de terrorismo no Brasil, com focos em ataques a prédios da comunidade judaica.

Em Minas Gerais, foram cumpridos 7 mandados de busca e apreensão; no Distrito Federal, 3; e em SP, 1 de busca e 2 de prisão temporária.

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Um dos presos de São Paulo foi detido ao desembarcar de uma viagem ao Líbano. A PF acredita que ele chegou com informações para repassar ao comparsa e praticar os ataques.

A PF explicou que o objetivo dessa operação, batizada de “Trapiche”, é também obter provas de possível recrutamento de brasileiros para a prática de atos extremistas.

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Pela legislação, os recrutadores e os recrutados devem responder pelos crimes de constituir ou integrar organização terroristas e de realizar atos preparatórios de terrorismo, cujas penas máximas, se somadas, chegam a 15 anos e 6 meses de reclusão.

Os crimes previstos na Lei de Terrorismo são equiparados a hediondos, considerados inafiançáveis, insuscetíveis de graça, anistia ou indulto, e o cumprimento da pena para esses crimes se dá inicialmente em regime fechado, independentemente de trânsito em julgado da condenação.

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Hamas, Jihad Islâmica e Hezbollah: o que querem, qual a força, onde e como agem os grupos armados islâmicos no Oriente Médio
Israel acusa a Jihad Palestina Islâmica de ser responsável pela explosão em hospital na Faixa de Gaza. O Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas, fala em mais de 400 mortos. Os dois grupos são financiados pelo Irã, que alimenta ainda o Hezbollah.

Os mais recentes conflitos na região começaram em 7 de outubro, quando o Hamas disparou foguetes contra Israel, a partir da Faixa de Gaza. Por terra, ar e mar, homens armados invadiram o território israelense, matando e sequestrando pessoas. A Jihad afirmou que recebeu parte desses reféns.

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Tanto o Hamas quanto a Jihad Islâmica são financiados pelo Irã, que também alimenta com armas e dinheiro o Hezbollah, grupo político e paramilitar islâmico com sede no Líbano e que também se envolveu no conflito com Israel.

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Onde atua:

Na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, ambos territórios palestinos.
Mas tem líderes espalhados por outros países, como Líbano e Catar.
O que quer:

Na língua árabe, Hamas é um acrônimo para "Movimento de Resistência Islâmica".
Nasceu em 1987, após o início da primeira intifada palestina contra a ocupação israelense na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
É considerado terrorista por Estados Unidos, Israel, União Europeia e Reino Unido, entre outros.

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O estatuto do grupo terrorista, de 1988, definiu a Palestina histórica, incluindo a atual Israel, como terra islâmica e excluiu qualquer possibilidade de paz permanente com o Estado judeu. No documento, o Hamas clamou pela destruição de Israel.
Em 2017, o grupo atualizou o estatuto, aceitando formalmente a criação de um Estado palestino provisório na Faixa de Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém oriental. Também afirmou que sua luta não é contra o povo judeu, apenas contra os "agressores sionistas de ocupação" – mas continuou sem reconhecer Israel.

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O novo documento também insistiu que o Hamas não é uma força revolucionária que busca intervir em outros países.
Naquele ano, o líder do braço político do grupo afirmou: “O Hamas advoga pela libertação de toda a Palestina, mas está pronto para apoiar o Estado de acordo com as fronteiras de 1967, sem reconhecer Israel ou ceder quaisquer direitos”.
Na ocasião, o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu afirmou que o Hamas estava tentando “enganar o mundo”.

O Hamas possui um braço armado, mas também um braço político, que, em 2006, venceu as eleições legislativas na Palestina, derrotando o Fatah. Representado pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANL), Mahmoud Abbas, o Fatah é maior grupo da Organização para a Libertação Palestina (OLP).

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No ano seguinte, o Hamas expulsou o Fatah da Faixa de Gaza, tomando controle político e administrativo do território, o que levou Israel a impor um bloqueio que permanece ativo até hoje.
O braço político e administrativo do Hamas inclui professores, médicos e urbanistas. O grupo implementou e geriu várias escolas e clínicas, controlando, por exemplo, todo o sistema de saúde e educação de Gaza.

O Hamas se firmou como principal grupo palestino contrário aos Acordos de Oslo, negociados de 1993 a 1995 entre Israel e a OLP. Após os acordos, o Hamas realizou atentados suicidas, matando civis israelenses. Depois do fracasso de uma cúpula patrocinada pelo presidente americano Bill Clinton, em 2000, e da segunda intifada que ocorreu na sequência, o Hamas continuou realizando atentados suicidas e ganhou poder e influência, enquanto Israel reprimia a Autoridade Palestina, também acusada de patrocinar ataques, conforme a BBC.
Em março e abril de 2004, o líder espiritual do Hamas, Sheikh Ahmed Yassin, e seu sucessor, Abdul Aziz al-Rantissi, foram mortos em ataques com mísseis israelenses em Gaza.

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Qual a força e como age:

É o maior grupo armado na Palestina.
Em 2008, os foguetes do Hamas tinham um alcance máximo de 40 km. Em 2021, o alcance chegou a 230 km, segundo afirmou Ali Baraka, um líder sênior do Hamas, que fica baseado em Londres, à agência de notícias Reuters.
O Exército israelense diz que mais de mil foguetes foram disparados contra o país em três dias de conflito em 2021 – 90% deles interceptados pelo sistema antimísseis Domo de Ferro.
Nos anos 1990, o Hamas tinha menos de 10 mil combatentes. Hoje, seriam 40 mil, segundo uma fonte próxima ao grupo afirmou à Reuters. O número total, no entanto, não é conhecido.

O Hamas desenvolveu uma rede de túneis sob Gaza para facilitar fugas e a importação de armas vindas do exterior.
O grupo também conseguiu, ao longo dos últimos anos, adquirir bombas, foguetes, morteiros, mísseis antitanque e mísseis antiaéreos.
Segundo informações da BBC, o Hamas opera atualmente uma variedade de mísseis de longo alcance, como o M-75 (que avança até 75 km), o Fajr (até 100 km) e o R-160 (até 120 km). Também conta com alguns M-302s, que chegam ainda mais longe (até 200 km).

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Irmãos Gonçalves


Os foguetes de curto alcance são fabricados pelo grupo em Gaza. Mas, segundo o que afirmou um dos líderes à Al Jazeera no ano passado, os foguetes de longo alcance vêm do Irã, da Síria e pelo Egito.
Ainda segundo essa liderança, o grupo recebeu US$ 70 milhões em ajuda militar do Irã – o país já admitiu que ajuda a financiar e a treinar o grupo, mas nega envolvimento no ataque de 7 de outubro de 2023 a Israel.
Segundo uma fonte da área de segurança de Israel, no último ano o Irã aumentou o financiamento do braço armado do Hamas de US$ 100 milhões para cerca de US$ 350 milhões anuais.


 

Além de receber armas de fora, o Hamas fabrica os próprios armamentos, usando para isso, inclusive, parte da infraestrutura destruída por ataques anteriores de Israel (chapas e tubos metálicos, estrutura elétrica), além de reciclagem de munições israelenses que não explodiram, de acordo com o palestino naturalizado americano Ahmed Fouad Alkhatib, em artigo para o Washington Institute. No ataque de 7 de outubro, o Hamas disparou mais de 2,5 mil foguetes. Combatentes em parapentes, motocicletas e veículos de quatro rodas invadiram Israel, destruindo comunidades, matando 1,3 mil pessoas e levando dezenas como reféns.

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Onde atua:

Na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, ambos territórios palestinos.
Possui escritórios em Beirute e Damasco, no Líbano, segundo a Reuters.
De acordo com o governo americano, também possui escritórios em Teerã, no Irã.

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O que quer:

Aliado ocasional do Hamas, participou do ataque a Israel em 7 de outubro de 2023, recebendo reféns feitos pelo grupo terrorista.
É acusado por Israel de ser responsável pela recente explosão de um hospital na Cidade de Gaza, o que o grupo nega.
Foi fundado no início dos anos 1980 por Fathi Shiqaqi para libertar a Palestina e combater a ocupação israelense por meio da luta armada.

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Shiqaqi, anteriormente envolvido com a Irmandade Muçulmana, uma organização islamita fundada no Egito, foi assassinado em Malta, em 1995.
O grupo, de início, era formado principalmente por intelectuais e estudantes universitários e, ao longo dos primeiros anos, se transformou em um movimento armado organizado.
A Jihad Islâmica Palestina almeja a libertação de toda a Palestina histórica, ou seja, não reconhece Israel e é contra a solução de dois Estados na região.


 

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Segundo estudos mencionados no livro “A history of Palestinian Islamic Jihad: Faith, awareness, and revolution in the Middle East”, a Jihad Islâmica, diferentemente do Hamas, surgiu como um “movimento revolucionário, pequeno e contra o establishment” e se diferencia por seu “vanguardismo revolucionário por meio do qual não deseja se tornar um movimento popular de massa mais amplo”.
É considerado como organização terrorista pelos Estados Unidos e pela União Europeia.
Nos anos 1990 e 2000, também realizou atentados à bomba suicidas contra Israel.
O grupo é contra qualquer engajamento político com Israel.
Diferentemente do Hamas, não participa da política local e não concorre em eleições.

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W Aluminium


Qual a força e como atua:

Segundo maior grupo armado na Faixa de Gaza e o terceiro maior nos territórios ocupados.
Apesar de já ter realizado ataques em conjunto com o Hamas, o grupo também opera de forma independente e se concentra, principalmente, em confrontos militares contra Israel.

Em 2017, por exemplo, o Hamas e a Jihad Islâmica afirmaram ser responsáveis por foguetes e morteiros disparados contra Israel.
Existem poucas estimativas sobre o tamanho do grupo. Segundo a Reuters, estimativas de 2021 vão de cerca de mil a vários milhares de combatentes, conforme o CIA's World Factbook.

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Também há pouca informação sobre o arsenal do grupo. De acordo com a Reuters, a Jihad Islâmica possui uma quantidade significativa de foguetes, morteiros e mísseis antitanque.
Também recebe financiamento do Irã.

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Irmãos Gonçalves


Hezbollah

Onde atua:

Líbano.
Também atuou na Guerra civil da Síria.
Afirma estar acompanhando o conflito entre Israel e Hamas.


O que quer:

Foi fundado pela Guarda Revolucionária do Irã em 1982, em meio à guerra civil do Líbano, para lutar contra forças israelenses, que haviam invadido o país.
O nome Hezbollah significa “Partido de Alá”. É um grupo de orientação muçulmana xiita.
Além de um grupo armado, o Hezbollah tem participação na política, com parlamentares, atuando como um partido político no Líbano, onde é denominado como “um Estado dentro de um Estado”, devido a sua ampla rede de forças políticas, militares e de serviços sociais. Tem apoio de grande parte da população xiita no país.

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O grupo manteve suas armas depois do fim da guerra civil no Líbano para continuar lutando contra forças israelenses que ocupavam partes do sul do país. Anos de conflito levaram Israel a se retirar unilateralmente em 2000.
Tem como objetivo a “expulsão definitiva dos americanos, franceses e seus aliados do Líbano, pondo fim a qualquer entidade colonial”.


 

No manifesto publicado após sua formação, o Hezbollah diz ainda que tem como objetivo que “todos os filhos do nosso povo possam determinar seu futuro e escolher com toda liberdade a forma de governo que desejam” e sugere que a opção seja um governo islâmico. “Apenas um regime islâmico pode parar quaisquer novas tentativas de infiltração imperialista no nosso país”, diz o documento.
É considerado uma organização terrorista por Estados Unidos, Arábia Saudita e Israel. A União Europeia classifica o braço armado do grupo como terrorista, mas não o braço político.

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Mundo das Utilidades


Qual a força e como age:

Segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), um think tank americano, o Hezbollah é o ator não estatal mais fortemente armado do mundo, com um arsenal grande e diverso de foguetes, além de mísseis balísticos, antiaéreos, antitanques e mísseis de cruzeiro.
O grupo afirma que tem capacidade para atingir, com foguetes, todas as áreas de Israel.

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BibiCar


Segundo informações do site Politico, alguns mísseis guiados do grupo são capazes de transportar ogivas de 500 kg por uma distância de 300 km. O Hezbollah possui, ainda, sistemas de defesa aérea e uma frota de drones de reconhecimento e combate.
Ainda de acordo com o CSIS, a maior parte do arsenal é composta por foguetes de artilharia não guiados. O grupo teria capacidade de 130 millançamentos.

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Em 2021, o líder do Hezbollah Sayyed Hassan Nasrallah disse que o grupo tinha cerca de 100 mil combatentes.
À Al Jazeera, um especialista do Atlantic Council, outro think tank americano, estimou em 60 mil o número de combatentes. Entre eles, há uma unidade de elite foi treinada para infiltrar Israel no caso de uma guerra.
O Irã financia e fornece armas ao grupo.

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A capacidade militar do Hezbollah ficou evidente em 2006, quando o grupo sequestrou dois soldados israelenses, desencadeando uma guerra de cinco semanas contra Israel, que deixou 1,2 mil mortos no Líbano, a maioria de civis, e 158 mortos israelenses, a maioria militares.
Em 2012, o grupo apoiou Bashar al-Assad na guerra civil na Síria.
 

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Fonte: CNN / G1 Globo


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