Jorge Eduardo Guinle, mais conhecido como Jorginho Guinle, nasceu em 5 de fevereiro de 1916, em Petrópolis, e faleceu em 5 de março de 2004, no Rio de Janeiro. Herdeiro de uma das famílias mais ricas do Brasil, os Guinle, fundadores do Porto de Santos, Jorginho tornou-se célebre por sua vida de luxo, romances com estrelas de Hollywood e, eventualmente, pela falência financeira.
O dono daqui era um milionário e gastou tudo o que tinha, até o último centavo.
Se você acha que é impossível uma pessoa receber uma fortuna de 100 milhões de dólares e simplesmente conseguir torrar tudo ao longo da vida, então você não conhece — ou esqueceu — a história de Jorge Eduardo Guinle, mais conhecido como Jorginho Guinle, o último playboy brasileiro.

Foto: Reprodução/Internet
Juventude e Fortuna
Na década de 1940, Jorginho recebia uma mesada equivalente a US$ 60 mil em valores atualizados.
Ele frequentava festas luxuosas e estabelecimentos exclusivos, como o Hotel Copacabana Palace, fundado por seu tio Octávio Guinle em 1923.
Sua presença constante em eventos de alto padrão e sua vida de excessos desde cedo marcaram sua trajetória.
Vida Social e Romances
Jorginho Guinle era conhecido por seus romances com estrelas de Hollywood, como Marilyn Monroe, Rita Hayworth e Jayne Mansfield.
Ele também foi amigo de personalidades como Errol Flynn, Howard Hughes e Orson Welles.
Sua influência na alta sociedade o levou a ser convidado como embaixador informal do Brasil nos Estados Unidos durante a ditadura Vargas e representante de "assuntos sul-americanos" em Hollywood, a pedido de Nelson Rockefeller.

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Paixão pelo Jazz e Contribuições Culturais
Apaixonado por jazz, Jorginho foi autor da primeira obra sobre o estilo musical no Brasil, intitulada "Jazz Panorama" (1953).
Ele também foi articulista da "Revista da Música Popular", lançada em 1954.
Sua autobiografia, "Um Século de Boa Vida" (1997), resume seu estilo de viver e suas experiências ao longo da vida.
Declínio Financeiro e Falecimento
Após gastar quase toda sua fortuna, estimada em cerca de 100 milhões de dólares, Jorginho faleceu aos 88 anos, morando no Hotel Copacabana Palace por cortesia dos novos proprietários.
Ele sofria de um aneurisma da aorta abdominal e, próximo da morte, deixou o hospital para passar seus últimos momentos no "céu", como chamava seu quarto no hotel.
Legado e Representações
A vida de Jorginho Guinle inspirou o docudrama "Jorginho Guinle: Só se Vive Uma Vez", lançado em 2019, com Saulo Segreto no papel principal.
Além disso, o ator Bruno Gagliasso foi anunciado para interpretar Jorginho em uma futura produção cinematográfica.
Jorginho Guinle nasceu em 1916, em uma chácara no bairro carioca de Botafogo.
Ele era neto de Eduardo Pallasim Guinle, um empresário visionário.
Eduardo, ao lado de seu sócio, Cândido Gaffrée, iniciou com um estoque de produtos importados e expandiu rapidamente seus negócios para áreas como construção de estradas, ferrovias e aquisições imobiliárias. A verdadeira transformação da fortuna da família aconteceu quando os sócios conseguiram a concessão de 90 anos do Porto de Santos, uma jogada que multiplicou exponencialmente seus recursos.
O patrimônio da família era vasto e incluía o Palácio das Laranjeiras, a Granja Comari, o Jockey Club do Rio de Janeiro e o icônico Hotel Copacabana Palace.

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Jorginho, filho de Carlos Guinle, um dos sete filhos de Eduardo, usufruiu intensamente das riquezas do clã, mergulhando em uma vida repleta de festas, amores e um estilo de vida bem ostentoso.
Em 13 de agosto de 1923, na festa de inauguração do Copacabana Palace, Jorginho, então com 7 anos, conheceu Joaquim Monteiro de Carvalho, mais conhecido como Baby, de 10 anos.
Desse encontro, começou uma amizade que durou décadas.
Tempos mais tarde, eles fizeram uma promessa curiosa um ao outro: se um dos dois um dia ficasse pobre, o outro ajudaria.
Jorge vivia sua vida como um verdadeiro bon vivant.
Ele estudou Filosofia no prestigiado Collège de France, em Paris, e se autodenominava marxista, embora sua vida de luxos e excessos fosse um contraste gritante com essa ideologia.
Apesar de afirmar apoiar o marxismo, vivia como um capitalista que apreciava os prazeres da alta sociedade e tudo que o dinheiro podia comprar.
Jorginho se gabava de nunca ter trabalhado, contando o seguinte: “Nenhum playboy de hoje pode ser meu sucessor. Todos têm um grave defeito: eles trabalham.”
Sua vida noturna era lendária, tanto em Paris quanto no Rio de Janeiro.
Ele foi uma figura central em festas extravagantes que moldaram o cenário social da capital carioca, trazendo a essência dos clubes burlescos e cassinos parisienses para os barcos do Rio.
Guinle foi um dos poucos que conseguiu transitar entre o glamour e a exclusividade da alta sociedade parisiense e a energia vibrante da noite carioca.
O prestígio da família Guinle, que possuía o icônico Copacabana Palace, foi o passaporte de Jorge para o seleto círculo do jet set internacional, composto por pessoas ricas e influentes que viajavam frequentemente em jatos particulares.
Como o próprio Jorge refletiu em sua biografia, o importante não era a quantidade de dinheiro que você tinha, mas sim parecer que tinha muito.
A classe, o estilo e as conexões valiam tanto quanto a fortuna real e ele, com sua habilidade nata para se associar aos poderosos e ricos, tornou-se amigo de outras figuras globais.
Nelson Rockefeller, o magnata americano e então vice-presidente dos Estados Unidos, viu em Jorginho um aliado estratégico para fortalecer as relações entre os Estados Unidos e o Brasil durante a Segunda Guerra Mundial.
Rockefeller reconheceu o potencial diplomático de Jorge, especialmente por sua habilidade em circular entre a elite e sua influência entre personalidades do Brasil e do exterior.
Graças à sua astúcia e ao charme polido, Jorge ajudou a garantir que o Brasil se posicionasse ao lado dos Aliados em um momento crucial para o desenrolar do conflito global.
Jorginho também teve presença forte em Hollywood, onde sua influência ia além de simplesmente ser um espectador. Ele acompanhou de perto a produção de filmes memoráveis como Casablanca, sendo uma figura constante nos bastidores.

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Ele também teria auxiliado Walt Disney na criação do personagem Zé Carioca.
Passou noites regadas a mulheres e álcool ao lado de nomes como o visionário diretor Orson Welles e o futuro presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan.
Além de suas conexões internacionais, ele cultivou amizades significativas no Brasil.
Uma das mais notáveis foi com Vinícius de Moraes, que na década de 1940 serviu como vice-cônsul brasileiro em Los Angeles. Os dois se conheceram na cidade e compartilharam um amor pelo jazz.
A família Guinle era proprietária da Granja Comari, que anos mais tarde seria imortalizada como local de preparação da Seleção Brasileira de Futebol.
Em 1953, uma outra “partida” ocorreu ali, desta vez entre os próprios membros da família, com o julgamento do ilustrador Getúlio Vargas.
Jorginho, que media cerca de 1,60 m, compensava a baixa estatura usando sapatos com saltos internos de 8 centímetros. Ser baixinho nunca foi um empecilho para ele, que tinha uma preferência clara por mulheres altas e, de modo especial, pelas estrelas de Hollywood.
Segundo ele próprio, as mulheres eram o verdadeiro motivo pelo qual frequentava as festas da alta sociedade. Em 1946, teve a oportunidade de conhecer Marilyn Monroe, então no início da carreira, e mais tarde revelou que eles tiveram um breve romance, afirmando que “tiveram relações por duas vezes”.
Esse tipo de postura feminina foi amplamente celebrada nas décadas de 40 e 50, especialmente entre os homens solteiros e da elite.
Jorginho aproveitou seu charme e conexões para trazer várias atrizes famosas ao Copacabana Palace, propriedade da família Guinle e um dos hotéis mais luxuosos do Brasil.
Essas visitas não apenas garantiam visibilidade para o hotel, mas também ampliavam a fama do próprio Guinle.
Engana-se quem acredita que ele viveu a vida inteira como um solteirão convicto.
Em outubro de 1944, casou-se com a socialite americana Dolores Sherwood-Bochard, membro de uma família rica dos Estados Unidos.
Dessa união nasceu seu primogênito, Jorge Eduardo Guinle Filho, que viveu com os pais até a separação do casal, em 1954. Já seu segundo filho, Gabriel, nasceria apenas em seu quarto casamento, com Maria Helena Carvalho, muitos anos depois.
O segundo matrimônio de Guinle foi com Ionita Salles Pinto, que aos 20 anos se uniu a ele, então com 52. Esse casamento durou sete anos e terminou de forma dramática, durante uma das famosas cerimônias do Oscar, evento que o casal costumava frequentar anualmente.
Em uma dessas ocasiões, Ionita simplesmente não apareceu ao lado de Guinle, abandonando-o para viver um caso com o jovem fotógrafo Antônio Guerreiro.

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Após o ano de 1972, a vida financeira de Jorge começou a desmoronar.
Embora estivesse habituado a um estilo de vida luxuoso e gastador, ele tinha pouca habilidade — e interesse — para os investimentos.
Quando a concessão do Porto de Santos, uma das fontes de renda da família, chegou ao fim, ele foi obrigado a vender alguns de seus bens para tentar manter seu padrão de vida.
Entre os itens vendidos estavam seu icônico Rolls-Royce, sua extensa coleção de trenzinhos e até seus preciosos discos de jazz. Por sorte, ele ainda tinha a amizade de Baby, que cumpriu a promessa que havia feito quando o amigo perdeu a fortuna.
“Eu nunca gostei de falar de dinheiro. Meu negócio sempre foi gastar.
Já vi gente dizendo que foram 20 milhões de dólares, mas eu nunca fiz essa conta.
Frequentemente as pessoas acham que fui eu quem acabou com a fortuna da família.
A sorte do meu avô, em valores corrigidos, era de mais ou menos uns 2 bilhões de dólares. Esse dinheiro foi todo para o ralo, mas quem começou a torrar tudo foi a geração do meu pai, que construiu palácios e mandou a família passar oito meses na Europa.”
Seu primeiro emprego só aconteceu quando ele completou 80 anos.
Nessa altura, estava quebrado e muito se sustentava com ajuda de amigos.
Mesmo assim, o espírito elegante e refinado que sempre o acompanhou não se perdeu: encontrou uma atividade que combinava com sua personalidade e experiência.
Tornou-se guia turístico.
Mostrava as maravilhas de Paris aos neomilionários, compartilhando sua vasta experiência em luxo, cultura e história da cidade. “Nunca me passou pela cabeça que viveria tanto. Achei que fosse morrer com uns 75 e estou com 87.
Calculei mal e gastei tudo antes da hora. Hoje vivo com uma aposentadoria de R$ 1.588 e almoço de favor no Copacabana Palace.”
Ao longo de sua vida, Jorginho participou de algumas campanhas publicitárias, mas nada que o fizesse retomar o estilo de vida extravagante de seus dias de glória.
Embora tenha mantido seu charme e presença na alta sociedade, os excessos que viveu nunca mais voltaram a fazer parte de seu cotidiano. As oportunidades de trabalho surgiam esporadicamente, mas nenhuma delas foi capaz de enriquecê-lo novamente.
A vida do último playboy brasileiro é contada no filme Jorginho Guinle – Só se vive uma vez, tendo Guilhermina Guinle, sua prima, como parte do elenco. Sua vida também inspirou a criação de Pedrinho Guimarães, personagem de Marcos Caruso na novela Pega Pega.
Na trama, ele também foi um bon vivant que acabou torrando toda a sua fortuna e se viu obrigado a vender o Carioca Palace, hotel de sua família.
Em 2004, após sofrer um aneurisma no coração, Jorginho passou uma semana internado no hospital.
Sabendo da gravidade de sua condição, assinou um termo de responsabilidade para sair do hospital e fez um último pedido: foi levado de volta ao "céu", que era como chamava o seu quarto vitalício no Copacabana Palace, concedido a ele quando o hotel foi vendido a um grupo inglês.
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A refeição que tomou naquela noite foi composta por um saboroso estrogonofe de frango, milkshake e sorvete de framboesa. Antes de deitar-se, tomou um chá inglês e escolheu ouvir John Coltrane. E foi assim, no silêncio da madrugada, que Jorginho faleceu em seu quarto no Copacabana Palace — exatamente como desejava.
Cercado pelo luxo e glamour que sempre definiram sua vida.
Fonte: ODia.
Veja o vídeo:
Vídeo: Reprodução Redes Sociais
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