Por: Cerqueiras Publicidades

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Vídeo: "Tribunal do tráfico" espanca e raspa cabelo de mulheres acusadas de extorsão em São Gonçalo

Vítimas foram julgadas pelos criminosos, tiveram os celulares roubados e foram forçadas a caminhar pela comunidade gravando vídeos. Polícia Civil investiga o caso. (Veja o vídeo no final da matéria).

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A barbárie imposta pelo chamado "tribunal do tráfico" fez mais duas vítimas em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. No final da manhã da quarta-feira (20 de maio), duas mulheres foram brutalmente espancadas e tiveram as cabeças raspadas por criminosos na favela do Risca Faca, localizada no bairro Maria Paula.

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Clínica 27 de Abril

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As vítimas, identificadas como Ana Júlia Nunes Dias, de 19 anos, e Jhenifer Santos Rangel Rodrigues, de 29, foram punidas por integrantes da facção Comando Vermelho (CV). A acusação dos criminosos era de que a dupla estaria utilizando o nome das lideranças do tráfico local para aplicar golpes e extorquir comerciantes da região.

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Sessão de humilhação e violência

Após descobrirem as supostas extorsões, os traficantes abordaram as mulheres e aplicaram a "sentença". Além de sofrerem agressões físicas severas e terem os aparelhos celulares roubados, ambas tiveram os cabelos completamente raspados.

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Para aumentar a humilhação, os criminosos filmaram a ação e obrigaram as vítimas a caminhar pelas ruas da favela repetindo em voz alta a frase: "nunca mais vou dar golpe na favela". Os vídeos foram amplamente divulgados na internet pelos próprios membros da facção, com o objetivo de que servissem de "exemplo" para a comunidade.

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Socorro e investigação

Após o episódio de tortura, Ana Júlia e Jhenifer conseguiram buscar atendimento médico e deram entrada no Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT), no bairro Colubandê. De acordo com informações da unidade, o estado de saúde de ambas é considerado estável. 

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Policiais do 7º Batalhão de Polícia Militar (Alcântara) foram acionados e estiveram no hospital para colher as primeiras informações. Em relato aos agentes, Jhenifer alegou inocência.

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Ela afirmou que não tem envolvimento com os golpes e que foi agredida, roubada e humilhada unicamente por ser amiga de Ana Júlia. Já a jovem de 19 anos preferiu manter silêncio e não deu sua versão dos fatos.

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O caso foi registrado e as investigações estão sob a responsabilidade da 75ª Delegacia de Polícia (Rio do Ouro), que atua para identificar os autores das agressões.

Imagem

Foto: Reprodução

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O que é um "Tribunal do Tráfico" e como ele atua

O chamado "tribunal do tráfico" — também conhecido como "tribunal do crime" — é um sistema de justiça paralelo instituído por facções criminosas e milícias em áreas periféricas e vulneráveis, onde a presença do Estado é fraca ou inexistente. Nessas comunidades, as lideranças do crime organizado assumem o papel de autoridade máxima, ditando regras de convivência e punindo severamente quem desobedece às suas determinações. Trata-se de uma forma de controle social imposta pelo terror, cujo objetivo principal é manter a "ordem" interna, evitar conflitos que atraiam a presença da polícia e garantir o funcionamento ininterrupto e lucrativo das bocas de fumo.

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O funcionamento desses tribunais baseia-se em um rigoroso e arbitrário "código de ética" criado pelas próprias organizações criminosas. As leis variam de acordo com a facção que domina a região, mas geralmente proíbem furtos e roubos dentro da comunidade, agressões desmotivadas, crimes sexuais e, de forma inegociável, qualquer tipo de delação à polícia (os chamados "X-9") ou colaboração com quadrilhas rivais. Quando uma dessas regras é supostamente violada, os próprios moradores ou integrantes da facção levam o caso às lideranças locais (os "frentes" ou "donos do morro"), que assumem simultaneamente os papéis de delegados, juízes e executores.

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O processo de julgamento é sumário, brutal e totalmente desprovido de qualquer garantia de defesa. As "audiências" costumam ocorrer em locais isolados dentro das favelas, onde o suspeito é mantido em cativeiro, interrogado e confrontado com a acusação. Não há presunção de inocência ou possibilidade de investigação imparcial; o veredito depende exclusivamente do humor do chefe do tráfico, de testemunhos informais e do impacto que a decisão terá na demonstração de poder da facção. Em muitos casos, a sentença é proferida de forma online, com líderes presos autorizando a punição por meio de chamadas de vídeo em celulares contrabandeados.

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Mundo das Utilidades

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As penas aplicadas por esses tribunais marginais variam de acordo com a gravidade da infração sob a ótica dos criminosos, sendo sempre acompanhadas de requintes de crueldade. Para delitos considerados menores, as punições envolvem agressões físicas severas com pedaços de madeira (o "corretivo"), expulsão da comunidade e humilhação pública — como a raspagem de cabelos e sobrancelhas, frequentemente gravada e exposta nas redes sociais. Para casos de traição, delação ou crimes sexuais, a sentença de morte é quase certa. Os métodos de execução são projetados para chocar e aterrorizar, como o esquartejamento ou o uso do "micro-ondas" (queimar a vítima dentro de pneus), servindo de recado macabro para silenciar os demais moradores.

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A existência e a tolerância aos tribunais do tráfico representam uma das violações mais profundas aos direitos humanos e ao Estado Democrático de Direito. Para os cidadãos de bem que residem nessas comunidades, a realidade é de opressão diária, pois são obrigados a viver sob as leis de tiranos que detêm o poder de vida e morte. Esse cenário evidencia que o problema vai muito além do combate armado, exigindo a retomada definitiva desses territórios por parte do Estado não apenas com segurança pública eficiente, mas com infraestrutura, educação e políticas sociais que libertem a população do julgo do crime organizado.

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Veja o vídeo:

Vídeo: Reprodução Redes Sociais

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Preço Fixo Utilidades

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Algumas informações: Roberta Trindade / Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) / Códigos de Processo Penal e inquéritos públicos

📝 Síntese da Matéria 
🚨 O Crime: Duas mulheres foram espancadas e tiveram os cabelos raspados por traficantes na favela do Risca Faca, em São Gonçalo (RJ). 
⚖️ A Acusação: O "tribunal do tráfico" do Comando Vermelho condenou a dupla por supostamente usar o nome da facção para extorquir comerciantes da região. 
📹 Exposição: As vítimas tiveram os celulares roubados e foram filmadas enquanto eram forçadas a caminhar pela comunidade dizendo que não aplicariam mais golpes. 
🏥 Estado de Saúde: As duas amigas foram socorridas e internadas no Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT), com quadro estável. 
🚓 Depoimentos e Investigação: Jhenifer (29) alegou aos policiais que apanhou apenas por andar com Ana Júlia (19), que preferiu não se pronunciar. A 75ª DP (Rio do Ouro) investiga o caso.


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