Por: Cerqueiras Publicidades

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Remédio radioativo vendido como cura milagrosa causou morte de empresário e mudou legislação nos Estados Unidos

Caso de Eben Byers expôs os riscos do consumo de produtos à base de rádio e levou à criação de regras mais rígidas para medicamentos no país.

No início do século XX, quando a radioatividade ainda era vista como símbolo de progresso e vitalidade, um produto vendido como remédio milagroso conquistou milhares de consumidores nos Estados Unidos. 

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Chamado Radithor, o líquido continha rádio dissolvido em água e era anunciado como tratamento para mais de 160 doenças. 

A história, porém, terminou em tragédia e se tornou um dos casos mais emblemáticos da medicina e da regulamentação sanitária americana.

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O Radithor foi criado em 1918 por William J. A. Bailey, um ex-presidiário que não possuía diploma em Medicina. Mesmo sem formação na área, ele fundou um laboratório em Nova Jersey e passou a comercializar o produto, promovido como um tônico capaz de restaurar a energia, combater enfermidades e até servir como "cura para o morto-vivente". Cada garrafa era vendida por um dólar, e cerca de 400 mil unidades foram comercializadas entre 1925 e 1930.

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A popularidade do produto foi impulsionada pelo fascínio que a sociedade tinha pela radioatividade. Desde a descoberta do rádio pelos cientistas Marie Curie e Pierre Curie, em 1898, o elemento passou a ser associado ao avanço científico e à ideia de uma fonte inesgotável de energia. Apesar disso, os próprios pesquisadores jamais defenderam seu consumo.

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Os riscos já eram conhecidos pela comunidade científica. Em 1914, um professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland publicou uma revisão de aproximadamente 700 estudos médicos mostrando que a ingestão de rádio podia provocar necrose óssea, ulcerações e outras graves complicações. Mesmo assim, os alertas foram ignorados diante do entusiasmo popular em torno das supostas propriedades terapêuticas do elemento.

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A vítima mais conhecida do Radithor foi Eben Byers, empresário, herdeiro de uma indústria siderúrgica e campeão do Campeonato Amador de Golfe dos Estados Unidos em 1906. Em 1927, após sofrer uma lesão no braço durante uma viagem de trem, Byers recebeu de um médico a recomendação para utilizar o produto.

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Convencido de que o líquido melhorava sua disposição física, o empresário passou a consumir o Radithor diariamente. Em aproximadamente três anos, ingeriu cerca de 1.400 garrafas, chegando a tomar várias doses por dia nos períodos de uso mais intenso.

Tập tin:Radithor bottle (25799475341).jpg – Wikipedia tiếng Việt

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O problema era que o organismo humano confunde o rádio com o cálcio. Dessa forma, o elemento químico se acumula nos ossos e continua emitindo radiação continuamente, destruindo os tecidos de dentro para fora. Os primeiros sinais surgiram na mandíbula de Byers, que começou a se deteriorar. Com o tempo, partes do crânio também foram destruídas e infecções graves atingiram seu cérebro.

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O estado de saúde do empresário chamou a atenção da imprensa. Em 1931, um repórter do jornal Wall Street Journal visitou Byers e descreveu a gravidade do caso, afirmando que os danos provocados pelo rádio em seus ossos eram praticamente inacreditáveis. A reportagem ganhou repercussão nacional e aumentou a pressão sobre as autoridades sanitárias.

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Eben Byers morreu em 31 de março de 1932, aos 51 anos. Como seu corpo ainda emitia radiação, ele foi enterrado em um caixão revestido de chumbo, material capaz de reduzir a emissão radioativa para o ambiente.

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Décadas depois, em 1965, cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) exumaram os restos mortais de Byers para realizar novas medições. Os exames confirmaram que seus ossos permaneciam radioativos, consequência da longa meia-vida do rádio, estimada em aproximadamente 1.600 anos.

Vítor - EBEN BYERS, O ATLETA QUE BEBEU ÁGUA RADIOATIVA ATÉ SEU QUEIXO CAIR Eben  Byers era um homem de sucesso: herdeiro de um império industrial, atleta  renomado e campeão de golfe.

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A repercussão do caso marcou um ponto de virada na legislação sanitária dos Estados Unidos. A morte de Byers evidenciou os riscos da comercialização de medicamentos sem comprovação científica e reforçou a necessidade de fiscalização mais rigorosa sobre produtos destinados à saúde.

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Em 1938, o Congresso dos Estados Unidos aprovou o Federal Food, Drug, and Cosmetic Act, legislação que ampliou significativamente os poderes da Food and Drug Administration (FDA). A partir da nova lei, a agência passou a ter autoridade para proibir, apreender e retirar do mercado medicamentos considerados perigosos ou sem comprovação de segurança.

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William Bailey, responsável pela criação do Radithor, nunca foi preso pelo caso. Continuou vivendo normalmente durante anos, apesar das críticas e das investigações envolvendo seu produto.

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O desfecho de sua própria história, entretanto, teve um elemento de ironia. Bailey morreu em 1949 vítima de câncer ósseo, doença associada à exposição prolongada ao rádio, o mesmo elemento químico que transformou seu suposto remédio milagroso em um dos maiores escândalos da história da saúde pública.

Créditos: Timothy J. Jorgensen. Strange Glow e Timothy J. Jorgensen. Strange Glow: The Story of Radiation.


A Palavra Morde no Portal

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