Uma moradora do entorno da Escola Estadual Luiz Salgado Lima, no bairro Maria Guimarães França (Cohab Velha), denunciou transtornos constantes e exige solução. Projeto aprovado pela Câmara intensificou a rotina de ensaios, afetando até idosos e crianças autistas. (Veja o vídeo no final da matéria)
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O som que deveria ser símbolo de cultura e civismo tornou-se motivo de estresse e insônia para dezenas de famílias em Leopoldina. A moradora da Rua Cândida Maria Fajardo Lamoglia, no bairro Maria Guimarães França (conhecido como Cohab Velha), está se mobilizando para cobrar providências urgentes contra o barulho excessivo causado pelos ensaios da fanfarra do Colégio Estadual Luiz Salgado Lima.
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O problema, que antes era restrito a curtos períodos próximos ao 07 de Setembro, ganhou proporções alarmantes após a sanção de um projeto municipal que incentiva a participação das bandas escolares em competições regionais e eventos ao longo de quase todo o ano. Como resultado, os ensaios da fanfarra passaram a ocorrer três vezes por semana (terças, quintas e sábados), das 14h às 18h, estendendo-se de março a outubro.
Escola Estadual Luiz Salgado Lima. Foto: Google Maps
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Rotina alterada e problemas de saúde
Para a vizinhança, o barulho ininterrupto e estrondoso dos instrumentos de percussão e sopro tornou-se insustentável. Há relatos, comprovados por gravações e medições de decibéis feitos pela moradora, de que o som ultrapassa os limites toleráveis.
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A situação é ainda mais crítica para grupos vulneráveis. Famílias relatam que precisam tirar idosos acamados ou adoentados de casa durante os horários de ensaio, levando-os para a casa de parentes para evitar o sofrimento causado pelo estrondo contínuo.
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Além disso, a vizinhança aponta que o barulho afeta diretamente crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que possuem sensibilidade auditiva, transformando o que deveria ser o aconchego do lar em um ambiente de pura aflição.
Foto: Reprodução Internet
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O problema se repete no centro da cidade
O incômodo gerado pelas fanfarras não é uma exclusividade da Cohab Velha. Segundo informações enviadas à redação, moradores e instituições próximas à Escola Estadual Professor Botelho Reis (Ginásio), no centro de Leopoldina, também sofrem com a poluição sonora.
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No Conservatório Estadual de Música Lia Salgado, que funciona nas imediações do colégio, uma professora relatou que eles são obrigados a interromper aulas de violão, piano e outros instrumentos, pois o barulho externo da fanfarra impede a concentração e a audição dos alunos.
Essa situação se repete, também, em outros bairros que possuem fanfarras nas escolas.
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Em busca de conciliação: Abaixo-assinado e propostas
Cansados do transtorno, os moradores da Cohab Velha iniciaram a coleta de assinaturas para um abaixo-assinado. O documento deverá ser apresentado à Prefeitura, à Secretaria de Educação e, caso necessário, ao Ministério Público, amparado na Lei Federal que regulamenta os limites de poluição sonora.
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Apesar da indignação, a postura dos vizinhos tem sido conciliatória. "A intenção não é acabar com a fanfarra ou com o projeto, que é importante para os jovens. A intenção é ter paz dentro de casa", desabafou uma moradora que lidera as reivindicações.
Foto gerada por Inteligência Artificial
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A comunidade tem buscado diálogo com a direção da Escola Luiz Salgado Lima. O diretor da instituição demonstrou empatia com a situação e se comprometeu a buscar alternativas. Uma das soluções propostas pela moradora foi a aquisição imediata de abafadores para os instrumentos de percussão. Segundo ela, a direção sinalizou que tentará providenciar os equipamentos para realizar testes práticos de redução do ruído.
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Outra alternativa levantada pela comunidade é a transferência dos ensaios para os ginásios poliesportivos cobertos da cidade. Como essas estruturas possuem cobertura que ajuda a conter e direcionar as ondas sonoras, o impacto na vizinhança residencial seria drasticamente reduzido.
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A posição dos políticos
O projeto que intensificou as atividades das fanfarras foi aprovado pela Câmara Municipal. O vereador Queijinho, autor do projeto, foi procurado por uma das moradoras. Ele declarou que o objetivo da lei era exclusivamente incentivar a cultura, ocupar o tempo livre dos jovens e aproximar as famílias da escola, e que em nenhum momento imaginou que a iniciativa causaria esse tipo de transtorno para a vizinhança. O parlamentar afirmou que entraria em contato com a direção da escola para mediar uma solução amigável e viável para ambas as partes.
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Procurada pela reportagem, a Prefeitura Municipal de Leopoldina enviou uma Nota Oficial sobre o assunto, veja abaixo o texto na íntegra:
Nota Oficial
"A Prefeitura de Leopoldina esclarece que, até o momento, não recebeu qualquer reclamação formal sobre o barulho das fanfarras da Escola Estadual Luiz Salgado Lima, localizada no bairro Cohab Velha, por parte dos moradores.
O setor de Protocolo da Prefeitura não registrou nenhum pedido de fiscalização ou providência relacionada ao nível de ruídos na área.
Conforme os procedimentos estabelecidos, é fundamental que a Prefeitura seja oficialmente notificada para que as devidas ações sejam tomadas, incluindo a vistoria por parte do setor de Fiscalização, que pode verificar os níveis de decibéis e, se necessário, tomar as providências adequadas.
A administração municipal reforça o compromisso com o bem-estar e o direito ao sossego da população e se coloca à disposição para atender às demandas que forem formalmente apresentadas."
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O Portal Cerqueiras Notícias segue acompanhando o caso. A comunidade aguarda o teste com os abafadores acústicos e o posicionamento efetivo da direção escolar e das autoridades competentes. Caso a poluição sonora persista e as medidas paliativas não surtam efeito, os moradores garantem que formalizarão a denúncia junto ao Ministério Público Estadual.
Veja o vídeo:
Vídeo enviado por uma leitora
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📝 Síntese da Matéria
🥁 O Conflito: Moradora da Cohab Velha (bairro Maria Guimarães França) em Leopoldina denuncia poluição sonora causada pelos ensaios da fanfarra da Escola Estadual Luiz Salgado Lima.
📅 A Rotina: Devido a um projeto que incentiva competições de bandas, os ensaios passaram a ser três vezes por semana (terça, quinta e sábado, das 14h às 18h), entre março e outubro.
🏥 Impacto: O som excessivo prejudica o descanso e a saúde de idosos e crianças autistas. O problema também afeta vizinhos do Escola Estadual Professor Botelho Reis (Ginásio), no centro, interrompendo até aulas do Conservatório de Música.
📝 Ação: Vizinhos estão recolhendo assinaturas para um abaixo-assinado que poderá ser levado ao Ministério Público.
🤝 Soluções Propostas: A vizinhança sugere a compra de abafadores para os instrumentos ou a transferência dos ensaios para ginásios cobertos. A direção da escola prometeu testar os abafadores e o vereador autor do projeto se comprometeu a mediar a situação.
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