No dia 30 de novembro, a Câmara Municipal de Leopoldina foi palco de uma Audiência Pública que reuniu autoridades, representantes do Poder Executivo, empresas de transporte, vereadores e usuários de ônibus. O debate, proposto pelo vereador Edvaldo Franquido Donato do Vale (PT), foi marcado por diversas divergências que gira em torno do Programa Tarifa Zero, refletindo a insatisfação e os embates de opiniões sobre a iniciativa que visa proporcionar transporte público gratuito na cidade.
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Sob a presidência interina do vereador Carlos André, a Audiência Pública, conforme o Requerimento nº 89/2023, foi uma oportunidade para analisar os impactos do Projeto Tarifa Zero no transporte coletivo urbano. Autoridades presentes incluíram os vereadores Bernardo Guedes, Julius Cezar, Alexandre Badaró, Vinícius Queijinho, Elileia dos Santos Correa, Maria Inês Xavier, José Augusto Cabral, José do Carmo Fófano Vieira e Valdilúcio Malaquias. Representando o Poder Executivo, a Secretária Municipal de Administração, Sara Dutra Moraes Ferraz, trouxe dados e justificativas sobre a eficácia do programa.
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Vídeo: Reprodução Redes Sociais
Edvaldo Franquido Donato do Vale abriu a audiência ressaltando as demandas dos usuários do transporte coletivo, enfatizando a necessidade de ajustes no programa. Críticas quanto à parada dos ônibus no Terminal Rodoviário e dificuldades de acesso foram evidenciadas, incluindo a situação dos moradores de comunidades como a Boa Sorte e o Bairro Serra Verde. Além disso, houve menções sobre os impactos negativos para os comerciantes locais devido à retirada de pontos de ônibus estratégicos.
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Sarah Dutra Moraes Ferraz, representante do Executivo, apresentou um panorama detalhado do programa desde sua implementação, destacando a inclusão social proporcionada pelo Tarifa Zero. Apresentou gráficos comparativos de rotas e horários, enfatizando o cumprimento das mesmas, e mencionou um aumento no número de horários disponíveis para a população. Segundo ela, desde outubro, as catracas dos ônibus foram giradas mais de 75 mil vezes, ressaltando a eficiência e alcance do programa.
Vídeo: Reprodução Redes Sociais
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Contudo, os testemunhos dos moradores refletiram uma realidade divergente. As queixas iam desde a falta de atendimento real das rotas até a ineficiência dos horários, evidenciando dificuldades enfrentadas diariamente.
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Jorge Luiz Medeiros, residente no bairro São Cristóvão, expressou sua opinião durante a audiência, destacando a aparente desconexão entre a teoria apresentada pela Secretaria e a realidade vivida pelos moradores. Ele enfatizou ter sido alvo de perseguição por expor sua visão publicamente, ressaltando que o receio de represálias impede muitas pessoas de compartilharem suas opiniões.
Além disso, Medeiros mencionou as preocupações dos comerciantes em relação às novas rotas, argumentando que a mudança impactou a permanência de clientes em determinadas áreas comerciais. Essas observações adicionam uma perspectiva crítica à discussão sobre o Programa Tarifa Zero em Leopoldina.
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Isabel, uma professora aposentada, trouxe uma perspectiva única à audiência ao expressar sua crença nas boas intenções da Secretaria ao apresentar números sobre o Programa Tarifa Zero. Contudo, ela ressaltou que a experiência prática difere dos dados apresentados. Isabel compartilhou suas experiências ao subir morros sob o sol quente e chuva, muitas vezes com uma criança no colo, durante seus 35 anos como professora. Ela enfatizou as dificuldades enfrentadas ao aguardar o ônibus, especialmente no bairro Pirineus, onde, por vezes, precisava esperar até as 16h30 após ter voltado às 13h. A professora argumentou que somente quem vivencia essas situações compreende verdadeiramente os desafios enfrentados pelos usuários do transporte público. Essa narrativa ressalta as lacunas entre a teoria apresentada e a realidade enfrentada pelos moradores de Leopoldina.
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Lurdes Aparecida, residente no bairro Nova Leopoldina, compartilhou suas dificuldades durante a audiência, destacando os desafios enfrentados devido às linhas e horários inadequados dos ônibus. Mãe de uma filha especial de 45 anos e avó de um neto de 10 anos, Lurdes relatou situações em que teve que carregar o neto e o ônibus não passava, resultando em frustração e dificuldades de locomoção. Diante dessas circunstâncias, ela ressaltou a necessidade de recorrer a aplicativos de transporte, desembolsando 40 reais, em comparação com os antigos 4 reais da passagem de ônibus, que além de mais acessível, oferecia horários regulares. O relato de Lurdes adiciona uma dimensão humana às discussões sobre o Programa Tarifa Zero, destacando as implicações práticas nas vidas dos cidadãos de Leopoldina.
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Vídeo: Reprodução Redes Sociais
Michele, proprietária da lanchonete "Parada Certa" e comerciante em Leopoldina, expressou sua preocupação durante a audiência, demandando a reinstauração dos antigos horários e rotas de ônibus. Michele argumentou que enfrenta dificuldades em manter funcionários em sua lanchonete devido à diminuição do fluxo de clientes. Antes, com pontos de ônibus em frente ao seu estabelecimento e de outros comerciantes, a economia local era impulsionada. Contudo, com as novas rotas, os comércios perderam quase todos os clientes.
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Em resposta a essa situação, Michele iniciou um abaixo-assinado que já conta com mais de 1200 assinaturas voluntárias de pessoas preocupadas com a alteração nas rotas. Ela destacou que as pessoas agora esperam por ônibus por longos períodos, das 13h até as 15h30. Michele direcionou uma pergunta a Orlando, responsável pelas novas rotas que retiraram as antigas de circulação, questionando se ele tivesse adquirido o ponto comercial dela no ano passado, conforme estavam negociando, teria retirado a rota dali. A principal queixa apresentada foi a mudança da rota da Avenida Presidente Carlos Luz para a Avenida Manoel Lobato. Esse testemunho destaca as repercussões diretas do programa nas atividades comerciais locais e reforça a apreensão dos empresários em relação às alterações implementadas.
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Maria da Penha, residente do bairro Bela Vista, compartilhou suas dificuldades durante a Audiência Pública, expondo os desafios enfrentados diariamente devido à deficiência de horários e rotas adequadas no transporte público. Ela salientou que, para levar seu neto ao conservatório, despende cerca de 120 reais por semana em serviços de aplicativo devido à falta de ônibus adequados nos horários necessários. Apresentando dados, Maria da Penha destacou a inconsistência dos horários de ônibus, reforçando a necessidade de uma programação mais alinhada com as demandas reais da população. Além disso, ressaltou que era para ter realizado a audiência no início do projeto e de envolver mais entidades, como escolas e a APAE, para garantir uma avaliação mais abrangente. Maria enfatizou que são os usuários de ônibus, principalmente os moradores de áreas mais distantes, que enfrentam as maiores dificuldades, contrastando com aqueles que possuem meios de locomoção alternativos, como carros próprios.
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José Antonio, residente no bairro Tome Nogueira, trouxe duas preocupações durante a audiência. Ele, que enfrenta problemas de saúde e coluna, relatou a dificuldade de locomoção nos dias de domingo para levar sua filha de 4 anos à igreja, visto que não há horários de ônibus disponíveis, tanto para ir quanto para voltar. Diante dessa lacuna, ele se vê obrigado a gastar consideráveis quantias com serviços de transporte por aplicativo, destacando que muitas pessoas na audiência compartilhavam a mesma preocupação com os altos custos do Uber, evidenciando a gravidade do problema causado pela falta de horários adequados de ônibus.
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Outra reclamação apresentada por José Antonio refere-se às rotas que não atendem adequadamente a população de seu bairro, apontando para a necessidade de ajustes que considerem as demandas específicas dos moradores. Este testemunho ilustra não apenas a questão da acessibilidade, mas também a relevância de um planejamento de rotas que efetivamente atenda às necessidades variadas da comunidade local.
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Vídeo: Reprodução Redes Sociais
Juliano, aluno da APAE e pessoa com deficiência física, aproveitou a palavra durante a audiência para destacar a falta de acessibilidade no transporte público. Ele mencionou a ausência de ônibus disponíveis para levá-lo até o local da audiência, ressaltando a inacessibilidade que não se limita apenas a ele, mas também afeta o transporte para outras pessoas da APAE. A intervenção de Juliano destaca a urgência de considerar as necessidades específicas de grupos vulneráveis, como pessoas com deficiência, ao avaliar e aprimorar o Programa Tarifa Zero.
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William Bunitinho (Web TV News)
William Marques, ao assumir o microfone durante a audiência, adotou uma postura de elogio ao Programa Tarifa Zero. Contrapondo a predominância de críticas na reunião, ele expressou que, na sua percepção, a opinião pública se inclina positivamente em relação ao programa. Destacando a divergência de perspectivas na audiência, William enfatizou a importância de considerar também as vozes favoráveis ao Programa Tarifa Zero, sugerindo uma pluralidade de opiniões sobre a iniciativa. Este depoimento adiciona um contraponto ao debate, evidenciando a variedade de posições presentes na comunidade em relação ao programa de transporte público gratuito.
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A insatisfação se tornou evidente durante as manifestações, onde a maioria dos presentes ressaltou a ausência de consulta pública antes da implementação do programa e criticou a falta de adequação das rotas e horários às reais necessidades da população.
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Vídeo: Reprodução Redes Sociais
A Secretária de Administração, Sarah Dutra Moraes Ferraz, ao retomar o microfone, buscou justificar as queixas dos usuários com argumentos embasados em dados, reforçando a eficácia do programa.
Em conversa com a assessoria do prefeito foi destacado que, embora compreenda as queixas, os números refletem a aceitação majoritária do programa pela população.
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Após todas as falas, os vereadores presentes ponderaram sobre a insatisfação geral da população, reconhecendo a importância da audiência para avaliar o impacto real do Tarifa Zero. Apesar de ressaltarem os aspectos positivos, como a inclusão social, salientaram a necessidade de ajustes para melhor atender à comunidade.
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A Audiência Pública em Leopoldina expôs a indignação com a forma que o projeto anda sendo praticado, deixando a entender que muitos estão sofrendo, principalmente com a falta de rotas que foi o ponto crucial da maioria dos argumentos, evidenciando a necessidade de ajustes no Programa Tarifa Zero para atender às reais necessidades e expectativas da população, onde o embate entre teoria e prática tornou-se a chave da discussão.
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Lembrando o que já cantava o nosso saudoso Serginho do Rock em uma de suas músicas, ele cita que via Leopoldina do Cruzeiro apertada entre as colinas. Nossa cidade cresceu para cima dos morros nos últimos 40 anos, era a nossa opção.
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Leopoldina tem um traçado difícil, muitas vezes, devido ao fluxo de veículos que atualmente está em torno de 25 mil, incluindo motos e automóveis, segundo informações da Secretaria de Transportes, causando engarrafamentos, o que retém os ônibus, atrasando a chegada na Rodoviária, o que atrasa a chegada dos passageiros que acabam perdendo o horário dos ônibus até o seu bairro de destino. Fazendo com que ele tenha que esperar até o próximo horário disponível ou use algum transporte alternativo.
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A Tarifa Zero veio para tirar a despesa com passagens dos usuários do transporte coletivo, mas talvez para manter todas as linhas como eram a Prefeitura poderia cobrar um valor simbólico, o que com certeza, a população estaria disposta a pagar, e talvez ajudasse a cobrir os custos para que tudo voltasse ao normal.
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Nos depoimentos acima é nítido que muitas pessoas estão pagando outros meios de locomoção, e pedindo até para voltar o preço que era cobrado antigamente para que sejam disponibilizadas as linhas e horários anteriores.
Vale ressaltar, que os idosos que tem seu direito de locomoção gratuita assegurada por lei, são os que estão mais impactados.
Têm dificuldade para caminhar, tem horários para medicação, afazeres domésticos , alguns ainda prestam serviços a terceiros.
Portanto, com a mudança atual, são os mais atingidos.
O envelhecimento da população mundial, dentro dela a brasileira, é uma realidade proporcionado pelo avanço da medicina, por novos medicamentos e avanços tecnológicos.
Estamos vivendo mais, porém com a necessidade de acessibilidade. Muitas empresas tiveram seus faturamentos severamente atingidos por essa realidade. Principalmente os meios de transportes que tem que obedecer a lei da gratuidade.
Lembrando ainda que Leopoldina não tem banheiros públicos em suas praças. Ao contrário do que acontece, por exemplo, em Poços de Caldas.
As pessoas precisam pagar para usar os banheiros de estabelecimentos, na rodoviária, ou contar com gentileza de alguns comerciantes leopoldinenses.

Foto: Reprodução Internet
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