Por: Cerqueiras Notícias

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De Ubá ao CERN: Jovem Formada na Rede Pública Transforma Curiosidade em Carreira na Ciência

Filha de caminhoneiro e costureira, Melissa Aguiar saiu das escolas públicas de Ubá, ingressou na UFJF e hoje participa de pesquisas no maior acelerador de partículas do mundo

A história da ubaense Melissa Aguiar, de 30 anos, começa longe dos grandes centros internacionais de pesquisa. Filha do caminhoneiro Rogério e da costureira Simone Aguiar, ela cresceu no bairro Fazendinha, em Ubá, na Zona da Mata mineira, estudou em escolas públicas do município e construiu, passo a passo, uma trajetória que a levou até o CERN, na Suíça, um dos principais centros de pesquisa científica do mundo.

 

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Melissa frequentou o Curumim II, cursou o ensino fundamental na Escola Municipal Padre Joãozinho e concluiu o ensino médio na Escola Estadual Raul Soares. Para ela, a escola teve um papel decisivo não apenas na formação acadêmica, mas também na descoberta de que o estudo poderia abrir caminhos profissionais que pareciam distantes de sua realidade.

 

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Desde criança, a curiosidade era uma característica marcante. Melissa gostava de desmontar objetos, montar quebra-cabeças e entender como as coisas funcionavam. Na escola, encontrou na matemática e na física disciplinas que despertavam esse mesmo interesse por mecanismos, lógica e resolução de problemas.

 

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A decisão de buscar o ensino superior, entretanto, não aconteceu de forma antecipada. Foi apenas no último ano do ensino médio que ela conheceu melhor as possibilidades de ingresso nas universidades. Sem frequentar cursinho, recorreu a vídeos disponíveis na internet e resolveu provas de anos anteriores para se preparar para o Enem.

 

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O esforço trouxe duas aprovações. Melissa poderia cursar Direito em uma instituição particular de Ubá, por meio de uma bolsa do ProUni, ou Engenharia Elétrica na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A escolha pela universidade federal prevaleceu, mas exigiu que ela encontrasse alternativas para custear a permanência fora de casa.

 

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Foi nesse momento que os programas de assistência estudantil fizeram diferença. Os auxílios oferecidos pela UFJF, somados ao apoio da família, permitiram que Melissa deixasse Ubá e seguisse a graduação em Juiz de Fora. A experiência mostrou que, para muitos estudantes, garantir o acesso à universidade é apenas a primeira etapa; condições para permanecer no curso também são fundamentais.

 

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Antes de chegar à universidade, a jovem também teve experiências de trabalho em Ubá. Durante a adolescência, atuou em um hortifrúti e no Coruja Lanches. Embora estivesse satisfeita com aquela realidade, a vontade de estudar e compreender melhor o mundo ao seu redor continuava presente.

 

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A mudança decisiva em sua trajetória ocorreu durante a graduação. Na UFJF, Melissa passou a colaborar com um professor que já desenvolvia pesquisas relacionadas ao CERN. A aproximação com a pesquisa científica ainda durante a universidade abriu uma porta que ela mesma não imaginava que poderia atravessar.

 

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Hoje, Melissa desenvolve o doutorado na área de eletrônica e realiza pesquisas no CERN, onde está instalado o Large Hadron Collider (LHC), conhecido em português como Grande Colisor de Hádrons. O equipamento é considerado o maior e mais potente acelerador de partículas do mundo e fica em um complexo científico localizado na região da fronteira entre Suíça e França.

 

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O trabalho da pesquisadora está relacionado aos sistemas eletrônicos utilizados para medir a energia das partículas produzidas nas colisões realizadas no acelerador. Os detectores registram sinais extremamente rápidos e pequenos, que precisam ser processados para que possam se transformar em informações confiáveis para os cientistas.

 

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O caminho até a Suíça foi marcado por desafios financeiros, falta de informação e uma rotina intensa de estudos. Melissa avalia que conhecer mais cedo as possibilidades de acesso ao ensino superior poderia ter facilitado sua trajetória e chama atenção para o número de jovens que podem perder oportunidades simplesmente por desconhecerem programas, bolsas e formas de ingresso nas universidades.

 

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A experiência internacional também exigiu adaptação. Ao chegar a Genebra, Melissa precisou lidar com o desafio dos idiomas, já que não dominava o francês e ainda tinha dificuldades com o inglês. A experiência, segundo ela, reforçou a ideia de que aprender algo novo exige disposição para aceitar, inicialmente, a condição de iniciante.

 

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Para Melissa, a ciência produzida em grandes centros como o CERN não fica restrita aos laboratórios. Ela destaca que pesquisas básicas podem gerar tecnologias que chegam à sociedade de maneiras inesperadas, incluindo aplicações relacionadas à internet, equipamentos de diagnóstico médico e tecnologias utilizadas no tratamento de doenças.

 

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Ao olhar para a própria trajetória, a pesquisadora mantém as escolas públicas de Ubá como uma das principais referências de sua formação. Para os estudantes que hoje ocupam as salas de aula da rede pública e sonham com uma universidade ou uma carreira científica, sua mensagem é de persistência: o caminho pode ser difícil e desigual, mas oportunidades existem. Da Fazendinha ao CERN, Melissa pretende concluir o doutorado e continuar trabalhando com ciência, levando adiante uma trajetória que começou nas salas de aula de sua cidade natal.

Créditos: Jornal Noticiário.

Foto: Reprodução

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