Por: Cerqueiras Publicidades

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Discriminação contra brasileiros em Portugal bate record

Manuella Bezerra de Melo, 40, mora em Portugal com o marido e um filho adolescente.

Eles estão no país desde 2017 e, desde então, Manuella observou um crescimento do discurso de ódio contra os brasileiros que moram por lá.

Manuella se preparava para dormir quando ouviu o insulto vindo do prédio ao lado. "Puta!". Levantou-se da cama e, pela janela, viu quando o homem gritou: "Brasileiros são lixos, mulheres brasileiras são putas!".

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Ela e o marido escutaram o homem chamar brasileiras de "macacas" e "essas pretas".

Apesar de fazerem parte de uma nova geração de imigrantes, mais qualificados e com maior poder aquisitivo, eles relatam episódios de xenofobia. E essa é uma das razões pelas quais alguns dos que já deixaram o país dizem não querer mais voltar a viver lá.

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Segundo a Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial (CICDR), órgão ligado ao governo português, denúncias de casos de xenofobia contra brasileiros em Portugal aumentaram 433% desde 2017.

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 Entre os estrangeiros que vivem em Portugal, são os brasileiros que mais registram casos em que são vítimas de manifestações de racismo e xenofobia.

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Dados Oficiais:
Destino tradicional de imigração brasileira, Portugal registrou nos últimos anos um aumento expressivo no fluxo migratório vindo da antiga colônia — dados oficiais mostram que a comunidade de brasileiros morando legalmente no pequeno país europeu subiu pelo quinto ano consecutivo.

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Os brasileiros permanecem, assim, na liderança isolada como a maior comunidade imigrante em Portugal, representando 29,2% de todos os estrangeiros em situação regular no país, segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), órgão do governo português responsável pelo controle da imigração.

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Mas esse número pode ser ainda maior, pois não inclui os brasileiros com dupla cidadania portuguesa ou de outro país da União Europeia e quem está em situação migratória irregular.

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O Ministério das Relações Exteriores do Brasil estima em 276.200 o número de brasileiros vivendo em Portugal, mas associações de apoio a imigrantes calculam que o contingente se aproxima de 400 mil.

As brasileiras são, de maneira geral, vistas de uma forma extremamente sexualizada, como objetos sexuais. A sociedade portuguesa ainda é essencialmente machista e conservadora.

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‘Brasileiras são todas p*’

Um relato semelhante aconteceu com a filha de Isabel, que ainda vive em Portugal.

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"Estávamos todos sentados em uma mesa, a família toda, eu, minha mãe, minhas duas filhas e o namorado de uma delas. Minha filha levantou-se para buscar uma cadeira e pediu gentilmente à mesa ao lado, na qual havia duas senhoras sentadas. Uma delas nem esperou minha filha sair para dizer, sem mais nem menos, que as 'brasileiras são todas p*'", diz.

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Irmãos Gonçalves

Ela, que já tinha morado no Japão, viveu em Portugal por dois anos para fazer seu mestrado em uma prestigiada universidade no Porto, a segunda maior cidade do país. E conta ter ficado "chocada" com o preconceito no ambiente acadêmico.

"Não esperava encontrar tanto preconceito no ambiente acadêmico. Certa vez, um professor falou da bunda das brasileiras. Outra afirmou que não havia água potável no Brasil", diz.

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"Já havia feito mestrado na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e me considero uma pessoa extremamente preparada profissionalmente. Comentei com uma professora que gostaria de me candidatar a uma vaga para lecionar na universidade. Ela riu da minha cara e disse: 'Claro que não, brasileiro vir aqui dar aula?'

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"Em outra ocasião, estava falando com a minha orientadora. De repente, ela deu um soco na mesa e disse: 'não entendo nada que falas'".

"Minha filha faz graduação aqui em Portugal e algo semelhante acontece com ela. Os alunos portugueses não costumam se misturar com os brasileiros. Em um trabalho de grupo, ela ouvia de colegas portugueses: 'Não entendes nada. És burra?'.

"O que mais me chamou atenção em Portugal foi que o preconceito, diferentemente do Japão, é descarado".

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'Tive que falar em inglês para ser bem tratado'
Pedro, que também fez mestrado em Portugal, compartilha a mesma frustração sobre o ambiente acadêmico.

"Nosso curso era em inglês e, devido a termos técnicos, queríamos fazer a prova em inglês. Mas nos deram a prova em português de Portugal e acabei indo mal. Quando fui reclamar, ouvi: 'Não é problema meu se não sabes falar português'."

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Mas, para Pedro, o pior era a discriminação vivida fora do ambiente universitário. Ele relata que fingia não ser brasileiro e, por vezes, falava em inglês, a língua materna de seu companheiro, para "ser bem tratado".

"Quando telefonava para fazer reservas em restaurantes e falava em português, sempre ouvia que não havia mais mesas disponíveis. Pedia a meu companheiro para ligar de volta. E, surpreendentemente, ele conseguia fazer a reserva. O tratamento era completamente diferente. Passei, então, a falar em inglês em restaurantes para ser bem tratado".

Hoje vivendo em Londres, no Reino Unido, Pedro diz que gosta de Portugal, mas não pensa em voltar a morar no país.

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W Aluminium

'Um estranho no bairro'
Formado em História, Felipe foi professor em Brasília antes de se mudar para Portugal para fazer mestrado.

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Por sua própria experiência, ele diz sofrer preconceito "velado". "Nunca me vi em uma situação de preconceito 'descarado'. Mas você sabe quando é alvo de discriminação, ainda que 'sutil', seja pela forma como alguém te olha ou fala com você".

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Irmãos Gonçalves

"Trabalho para uma empresa de engenharia aqui e meu trabalho consiste em sair a campo para fazer medições. Uma vez, fui confrontado por um policial que me disse que 'os moradores estão se sentindo incomodados de ver uma pessoa assim como você, estranha, andando por aqui'. Mostrei a ele todos os meus documentos, inclusive minha carteira de identidade portuguesa. E ele me perguntou como eu havia conseguido obtê-la".

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"O preconceito se alimenta da ignorância das pessoas. Evidentemente, nem todos os portugueses são preconceituosos, mas dizer que não há preconceito contra brasileiros é mentira".

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Mundo das Utilidades

Neste sentido, ele destaca o crescimento do discurso anti-imigração, se tornar a terceira maior força do Congresso.

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BibiCar

 Como denunciar?

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Segundo a Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial (CICDR), "quaisquer queixas, que se enquadrem no objeto da Lei n.º 93/2017 (legislação nacional contra discriminação racial), de 23 de agosto, podem ser apresentadas no formulário eletrônico, presencialmente junto da própria CICDR, do ACM, ou através de e-mail enviado para cicdr@acm.gov.pt ou por correio postal, endereçado à Presidente da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial, enviado para a Rua Álvaro Coutinho, 14, 1150-025 Lisboa, ou ainda presencialmente neste endereço".

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Fonte: BBC News Brasil / Redes Sociais UOL Notícias


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