Estudo britânico mostra que exame genético feito em casa é mais preciso que o tradicional teste de PSA e pode detectar tumores mesmo em casos com resultados normais no sangue.
Um novo exame que utiliza apenas uma amostra de saliva demonstrou ser mais eficiente do que o tradicional teste de PSA (antígeno prostático específico) no sangue para identificar homens com maior risco de desenvolver câncer de próstata.
A descoberta foi feita por pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres, em parceria com o Royal Marsden NHS Foundation Trust. O estudo, batizado de BARCODE 1, foi publicado em junho no conceituado New England Journal of Medicine.
Ao contrário do PSA, que pode indicar falsos positivos por reagir a inflamações ou alterações benignas na próstata, o novo teste se baseia na análise do DNA do paciente. A partir disso, é possível calcular um escore de risco poligênico, que indica a probabilidade genética de um homem desenvolver câncer de próstata ao longo da vida.
A principal vantagem está na precisão. O exame identificou um número significativamente maior de casos reais de câncer em comparação ao PSA, além de detectar tumores em homens cujos níveis de PSA estavam dentro da normalidade — e que, por isso, não passariam por investigação mais profunda.
“Uma simples amostra de saliva pode identificar os homens com maior risco de câncer de próstata de forma mais precisa do que o exame de sangue atual. Isso nos permitirá diagnosticar mais cânceres precocemente e com maior chance de cura”, afirmou a oncogeneticista Ros Eeles, principal autora do estudo.
Para conduzir a pesquisa, os cientistas recrutaram 6.142 homens europeus com idades entre 55 e 69 anos — faixa etária considerada de maior risco para o câncer de próstata. Todos os participantes cederam amostras de saliva para o mapeamento genético.
O escore de risco foi calculado com base em 130 variações genéticas ligadas ao câncer de próstata. Essas variantes foram identificadas em estudos prévios com centenas de milhares de homens ao redor do mundo.
Aqueles que estavam entre os 10% com maior pontuação genética foram convocados para exames adicionais, incluindo ressonância magnética e biópsia. O resultado foi surpreendente: dos 468 homens avaliados, 187 (40%) foram diagnosticados com câncer de próstata.
Esse percentual representa uma taxa de acerto superior à do teste de PSA, que leva ao diagnóstico de câncer em apenas 25% dos casos com resultado elevado. Além disso, o teste genético detectou cânceres ocultos em 63% dos homens que tinham PSA normal.
Esse achado é crucial, já que muitos casos de câncer de próstata não são detectados precocemente justamente por não apresentarem alterações no PSA, retardando o diagnóstico e o início do tratamento.
Outro ponto importante do novo teste é sua praticidade. Como utiliza apenas saliva, ele pode ser feito em casa, sem necessidade de coleta laboratorial, o que facilita a triagem em larga escala e amplia o acesso à prevenção.
O estudo abre caminho para uma abordagem mais personalizada na saúde masculina. Em vez de examinar todos os homens da mesma forma, será possível direcionar os exames mais invasivos — como a biópsia — apenas para aqueles com maior risco genético.
Com isso, o sistema de saúde também ganha: evita-se a realização de exames desnecessários, reduzindo custos e ansiedade entre os pacientes que poderiam receber falsos alarmes com o PSA.
O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens no mundo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), ele é responsável por mais de 65 mil novos casos por ano apenas no Brasil.
Apesar de ser uma doença com alta taxa de cura quando descoberta precocemente, muitos homens ainda evitam os exames preventivos, seja por medo, tabu ou falta de informação.
A adoção de um teste de saliva pode ajudar a superar essas barreiras, promovendo o diagnóstico precoce e salvando vidas. Além disso, representa um passo importante rumo à medicina de precisão, que considera o perfil genético de cada indivíduo.
Os autores do estudo destacam que mais pesquisas são necessárias para validar os resultados em populações não europeias. No entanto, os dados iniciais são promissores e já despertaram o interesse da comunidade médica internacional.
Com mais estudos e apoio institucional, o teste de saliva pode se tornar, em breve, uma ferramenta indispensável no rastreamento do câncer de próstata — simples, eficaz e acessível a milhões de homens ao redor do mundo.
Além disso, esse avanço no diagnóstico genético por meio da saliva pode transformar a forma como os médicos avaliam o risco individual de câncer, permitindo intervenções mais precoces e personalizadas. Com uma abordagem menos invasiva e mais acessível, o exame pode aumentar significativamente a adesão aos programas de rastreamento, contribuindo para a redução das taxas de mortalidade causadas pela doença.
Algumas Informações: metropoles (Instagram)
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