Condição comum após os 50 anos, a Hiperplasia Prostática Benigna pode comprometer a qualidade de vida, mas tem tratamento eficaz quando diagnosticada precocemente.
A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é uma das doenças mais comuns entre os homens a partir da meia-idade. Trata-se do aumento não canceroso da próstata, uma glândula localizada abaixo da bexiga e à frente do reto, responsável pela produção de parte do sêmen.
A condição é considerada benigna, ou seja, não representa um câncer nem se transforma em um, mas pode causar sintomas urinários que comprometem significativamente a qualidade de vida. Estima-se que mais da metade dos homens com mais de 50 anos apresentam algum grau de HPB.
Com o envelhecimento masculino, é natural que a próstata cresça gradativamente. Esse crescimento, no entanto, pode comprimir a uretra, dificultando a passagem da urina e exigindo maior esforço da bexiga para esvaziar.
Entre os principais sintomas da HPB estão a dificuldade para iniciar a micção, jato urinário fraco, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, aumento da frequência urinária — especialmente à noite — e, em casos mais graves, retenção urinária completa.
Apesar de ser uma condição benigna, a HPB pode trazer consequências sérias se não for tratada. A bexiga pode perder sua capacidade de contração eficaz, levando a infecções urinárias, formação de cálculos e até danos renais.
O urologista José Antônio Prezotti, da Afecc-Hospital Santa Rita, destaca que a HPB é resultado de alterações hormonais naturais do envelhecimento. O aumento da produção de di-hidrotestosterona (DHT), um derivado da testosterona, é um dos principais fatores envolvidos no crescimento da próstata.
O diagnóstico da HPB é clínico, baseado na avaliação dos sintomas e em exames complementares. O toque retal, ainda que muitas vezes evitado por preconceito ou medo, é fundamental para avaliar o tamanho e consistência da próstata.
Além disso, exames como ultrassonografia da próstata, urofluxometria e o PSA (Antígeno Prostático Específico) ajudam a diferenciar a HPB de outras condições, como o câncer de próstata, que pode apresentar sintomas semelhantes.
O tratamento da HPB varia conforme a gravidade dos sintomas e o impacto na vida do paciente. Em casos leves, mudanças no estilo de vida e monitoramento periódico podem ser suficientes.
Para casos moderados a graves, o tratamento pode incluir medicações alfabloqueadoras, que relaxam a musculatura da próstata e da bexiga, e inibidores da 5-alfa-redutase, que reduzem o tamanho da glândula ao longo do tempo.
Em situações mais avançadas, com retenção urinária recorrente ou infecções frequentes, pode ser indicada a cirurgia. A mais comum é a Ressecção Transuretral da Próstata (RTU), procedimento minimamente invasivo feito por via endoscópica.
Outras técnicas cirúrgicas modernas, como a vaporização prostática com laser e o enucleamento com HoLEP, oferecem bons resultados e menor tempo de recuperação, sendo indicadas conforme o perfil clínico do paciente.
Importante destacar que a HPB não interfere na vida sexual na maioria dos casos. No entanto, alguns medicamentos podem causar efeitos colaterais como diminuição da libido ou ejaculação retrógrada, o que deve ser discutido com o médico.
A prevenção da HPB não é totalmente possível, mas hábitos saudáveis como manter o peso adequado, praticar atividades físicas, evitar o consumo excessivo de álcool e cafeína e não reter urina por longos períodos podem ajudar a retardar o avanço dos sintomas.
A consulta periódica com o urologista, especialmente a partir dos 45 ou 50 anos, é essencial para identificar a HPB precocemente e diferenciar de outras doenças prostáticas.
Muitos homens adiam a ida ao médico por medo ou desinformação, mas quanto antes for feito o diagnóstico, maiores são as chances de tratamento bem-sucedido e preservação da qualidade de vida.
O tema também destaca a importância da educação em saúde masculina, quebrando tabus em torno da próstata e promovendo o cuidado preventivo ao longo da vida adulta.
Hiperplasia Prostática Benigna não é uma sentença, mas sim uma condição tratável. O conhecimento e a atitude proativa são os maiores aliados do homem quando o assunto é saúde urológica.
Com acesso à informação e acompanhamento adequado, é possível viver com tranquilidade e saúde, mesmo diante do diagnóstico de HPB.
Algumas Informações: tribunaonline (Instagram)
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