Por: Cerqueiras Portal de Notícias

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No caminho da cura para o HIV, cientistas brasileiros

Quantos testes de HIV você já teve que fazer na vida?


Eu não faço a mínima ideia, mas com certeza me lembro do primeiro.

As mãos suavam, os ouvidos totalmente surdos para qualquer um ao meu lado, e a cabeça que não parava de pensar numa só pergunta: O que eu vou fazer se der positivo?

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Felizmente, com tratamentos como PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) e PEP (Profilaxia Pós-Exposição), essa tensão diminuiu bastante –deixo claro que não zerou, mas já consigo ouvir quem está ao meu lado, enquanto o resultado não chega.

Realmente, isso só vai acabar quando alcançarmos a cura.

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E felizmente tem muito médico brasileiro nesse caminho.  

Um deles é o infectologista da Unifesp Ricardo Diaz. “O nosso principal objetivo na pesquisa é tentar aproximar as pessoas da cura, e eventualmente conseguir aquilo que hoje em dia tem nome, que chama a remissão sustentada do HIV sem antirretrovirais”, diz o médico.

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O nome parece complicado, mas a explicação é fácil:

É quando os médicos retiram os medicamentos do paciente e ele consegue sozinho controlar o vírus, a partir das defesas do próprio corpo. E isso pode acontecer por dois motivos: ou há uma quantidade tão pequena do vírus HIV no corpo que ele perde a função ou porque o corpo tenha realmente eliminado todos os vírus.

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"Existem três barreiras que a gente tem para eliminar o vírus de uma forma definitiva do corpo. A primeira delas é que o tratamento que a gente tem hoje em dia não diminui o vírus em 100%. A segunda barreira a gente chama de latência, e é uma palavra que significa que o vírus fica dormindo dentro da casinha dele, que é a célula, e dessa forma, os medicamentos não funcionam. Outra barreira a gente chama de santuário. Santuário é local do nosso corpo onde o vírus vive, e o medicamento não chega direito. Por exemplo, o cérebro, testículo, ovário e os órgãos sexuais também e algumas partes do intestino mais profundo." Ricardo Diaz, infectologista da Unifesp

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Identificar onde o vírus se esconde e eliminá-lo.

Um sonho, que os pesquisadores liderados pelo doutor Ricardo Diaz perseguem todos os dias. E parecem ter encontrado o caminho.

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“Na hora que a gente combina estratégias para diminuir a multiplicação do vírus com os tratamentos que a gente tem hoje em dia, tirar o vírus da latência ou matar essas células latentes, acordando o vírus, o remédio funciona. Na hora que a gente associou tudo isso, a gente conseguiu uma resposta melhor em termos de diminuição da quantidade de células que tem vírus no corpo da pessoa e isso aí foi um resultado inédito”, nos explica dr. Ricardo.

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Dois dos cinco voluntários da pesquisa, que receberam o tratamento experimental, conseguiram controlar espontaneamente o vírus depois que os antirretrovirais foram retirados.

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Irmãos Gonçalves

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"A gente começou a ter algumas evidências que o vírus poderia estar lá ainda. E então voltamos com o tratamento desses dois candidatos. Isso foi até criticado por alguns pesquisadores internacionais, que achavam que a gente deveria observar um pouco mais, mas agora a gente vai refazer tudo e esperamos reproduzir numa escala um pouco maior, com número maior de pessoas" Dr. Ricardo Diaz, infectologista da Unifesp

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Inédito e promissor também é a pesquisa que o infectologista Bernardo Porto, do hospital Emilio Ribas, faz parte. Mais um brasileiro em busca da tão aguardada vacina, o chamado Estudo Mosaico.

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“A gente pega em laboratório vários genes, mesmo de diversos subtipos e formas recombinantes do HIV, e a gente os agrupa numa forma de mosaico e esse mosaico é acoplado num outro vírus, inativado aí no laboratório, é incapaz de causar doença e ele funciona como um Cavalo de Tróia”, conta dr. Bernardo.

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Quem não se lembra do Cavalo de Tróia?

Um cavalo gigante de madeira, oco por dentro e que escondia soldados gregos, que de surpresa, no meio de uma festa e tomaram a cidade de Tróia.

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"Ele (o Mosaico) é inovador em relação aos demais estudos de vacina contra o HIV, porque pela primeira vez a gente testa um produto, que visa cobrir aí 94% da variabilidade genética do HIV" Bernardo Porto Maia, infectologista e coordenador do Estudo Mosaico no Hospital Emílio Ribas

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Quando ouvi isso precisei perguntar por que cobrir quase 100% da variação genética do vírus é tão importante. A resposta é que o HIV se multiplica tão rápido que em cada região do globo terrestre ele apresenta uma forma diferente.

Então não é toda a vacina, mesmo depois de descoberta, que vai conseguir proteger a todos nós.

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W Aluminium

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Após 40 anos de pandemia, vacina contra HIV é um sonho possível – Agência  AIDS

-Dr. Bernardo Porto Maia, infectologista e coordenador do Estudo Mosaico no Hospital Emílio Ribas / Acervo pessoal-

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O estudo, que entra na fase 3, recrutou quase 4.000 pessoas nas Américas e Europa, regiões foco do estudo. São oito países que participam dos testes clínicos.

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Mundo das Utilidades

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Os voluntários, todos da comunidade LGBTQIA+, principalmente homens que fazem sexo com outros homens, receberão quatro doses da potencial vacina ou placebo.

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“A gente já sabe que esse produto do Estudo Mosaico é seguro e também capaz de induzir a uma resposta de defesa específica. Agora a gente quer saber, na fase 3, testando as pessoas em mais territórios, se essa imunogenicidade se traduz em eficácia. Se, além de induzir uma resposta, essa resposta é competente no sentido de evitar a transmissão sexual do HIV tipo 1”, explica o infectologista. 

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BibiCar

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Quem também contribui para o fim da infecção por HIV no mundo é mais uma médica aqui do Brasil: eu apresento a doutora Maria Notomi Sato, professora associada da Faculdade de Medicina da USP. Em uma pesquisa publicada no final de 2021, os estudos da médica apontaram uma possível cura do vírus a partir de um dos primeiros vínculos que temos com a vida: o cordão umbilical. 

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"Uma das descobertas do estudo foi que as células do neonato, do bebê, são de uma certa forma ‘naive’, ingênua, menos experientes – mas se você dá um adjuvante (como se fosse um reagente), você consegue potencializar a resposta imunológica a frente da infecção por HIV in vitro"  Maria Notomi Sato, professora da FMUSP 

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-Dra. Maria Notomi Sato, professora associada da FMUSP- 

“A gente já sabe que esse produto do Estudo Mosaico é seguro e também capaz de induzir a uma resposta de defesa específica. Agora a gente quer saber, na fase 3, testando as pessoas em mais territórios, se essa imunogenicidade se traduz em eficácia. Se, além de induzir uma resposta, essa resposta é competente no sentido de evitar a transmissão sexual do HIV tipo 1”, explica o infectologista.

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Quem também contribui para o fim da infecção por HIV no mundo é mais uma médica aqui do Brasil: eu apresento a doutora Maria Notomi Sato, professora associada da Faculdade de Medicina da USP. Em uma pesquisa publicada no final de 2021, os estudos da médica apontaram uma possível cura do vírus a partir de um dos primeiros vínculos que temos com a vida: o cordão umbilical. 

"Uma das descobertas do estudo foi que as células do neonato, do bebê, são de uma certa forma ‘naive’, ingênua, menos experientes – mas se você dá um adjuvante (como se fosse um reagente), você consegue potencializar a resposta imunológica a frente da infecção por HIV in vitro" Maria Notomi Sato, professora da FMUSP

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E se por aqui esperamos resultados, o mundo já mostrou que é possível que a pesquisa da Dra. Sato esteja correta. Em fevereiro deste ano, uma mulher nos EUA se tornou a terceira pessoa a ser curada do HIV.

A partir de um tratamento com sangue do cordão umbilical, ela já está há mais de 14 meses sem sinais do vírus no sangue –e sem a necessidade de medicamentos antirretrovirais. 

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Irmãos Gonçalves

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Hoje existem dois avanços nesses medicamentos:
No Brasil: a Fiocruz estuda um método de PrEP injetável, uma alternativa à medicação oral que é disponibilizada hoje em dia;

Nos EUA: o FDA (a Anvisa dos Estados Unidos) autorizou, em novembro de 2021, o uso do Apretude, o primeiro medicamento injetável para PrEP. Primeiro, são aplicadas duas injeções em um intervalo de um mês. Depois, as injeções são dadas a cada dois meses.

São mais de 40 anos convivendo com HIV. Além de orgulho, é um alívio saber que, quando a cura sair, haverá uma parte importante dela vinda do Brasil.+

Algumas informações: CNN Brasil

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