O novo material de construção ecológico ganhou o Climate Positive Award, que premia ações relacionadas às mudanças climáticas.
O bagaço da cana-de-açúcar é o resíduo que sobra do processo de moagem da planta. Esses resquícios de caule, antigamente, não tinham utilidade e eram descartados. Porém, atualmente existem diferentes destinos para ele.
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A University of East London, em parceria com a empresa britânica Tate & Lyle Sugars, descobriu um novo uso para o material na área da construção.
As organizações desenvolveram um tijolo mais econômico e sustentável feito com o bagaço da cana, o qual, inclusive, ganhou o Climate Positive Award.
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Como é feito?
O material de construção, chamado de Sugarcrete, une o bagaço da cana-de-açúcar com ligantes de base mineral. Essa combinação é compactada e submetida a um processo de cura –solidificação de um material – que resulta em blocos de alta resistência. O produto final pode substituir os tradicionais tijolos feitos de argila ou concreto.
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Vantagens do tijolo de cana
Os blocos Sugarcrete levam apenas uma semana para curar em comparação com o concreto convencional, que leva quatro semanas.
Pesam apenas um quarto a um quinto dos blocos de concreto de tamanho semelhante.
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São mais baratos de produzir, principalmente em regiões onde a cana-de-açúcar é cultivada. Os agricultores podem vender o bagaço de cana a empresas, criando uma economia circular.
O processo de produção gera uma pegada de carbono muito menor em comparação com o concreto convencional.
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E por último, utiliza até 90% menos aço em comparação com o concreto convencional.
Isso resulta em estruturas mais leves e menos propensas a rachaduras, além de reduzir a quantidade de recursos naturais utilizados na construção.
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Climate Positive Award
O Sugarcrete foi selecionado como vencedor da categoria de economia circular do Climate Positive Award pelo grupo ambientalista Green Cross UK, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas do ano passado.
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-Tijolos do bagaço da cana-
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A premiação reconhece iniciativas que realizam ações para evitar ou preparar-se para as mudanças climáticas. Essa categoria, em especial, tem como foco os projetos que diminuem resíduos reutilizando materiais.
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O próximo passo que a equipe do Sugarcrete pretende tomar é buscar parcerias com agricultores em países do Sul Global para a comercialização dos tijolos de cana.
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SAIBA MAIS: Gás do futuro: Brasil decola na produção de energia produzida a partir da cana
Biogás se tornou a próxima pauta de agenda global e o Brasil é um dos países que pode se beneficiar com isso.
O gás do futuro entrou definitivamente na agenda de transição energética. Não resta dúvida de que é uma boa notícia para o planeta — e talvez melhor ainda para o Brasil.
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Com mais de 80% da matriz elétrica composta por fontes renováveis, nos últimos anos o país abraçou a produção de biogás, obtido a partir da decomposição de matéria orgânica por bactérias.
Produzido a partir de resíduos da cana-de-açúcar, o biogás tem sido um dos maiores responsáveis pela geração do gás renovável no país, embora ainda esteja dando os primeiros passos.
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O gás renovável é utilizado para gerar energia elétrica.
Um equipamento conhecido como biodigestor transforma a matéria orgânica em um gás que, por sua vez, ativa um gerador, produzindo eletricidade. Em sua forma mais pura, o biometano (em que elementos como o gás carbônico são removidos do biogás), pode ser um substituto de combustíveis fósseis como o gás natural e o diesel.
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Atualmente, mais de 700 unidades produtoras de biogás estão em operação no Brasil. Só em 2022, 111 plantas foram inauguradas, em uma expansão de 16% em relação a 2021.
Muitas são de pequeno porte e estão localizadas em regiões rurais, onde é mais difícil conseguir um abastecimento constante de energia.
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Juntas, essas plantas produziram cerca de 2,3 bilhões de Nm3, cerca de 10% a mais do que em 2021, embora a maior parte da produção ainda seja destinada a consumo próprio.
Neste ano, o mercado deve crescer cerca de 15%, segundo projeções da CBiogás (Centro Internacional de Energias Renováveis e Biogás).
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Embora a produção esteja crescendo, ainda é tímida se comparada a de outros países.
O mercado está mais avançado em países europeus e nos Estados Unidos, que têm sido mais pressionados pela necessidade crescente de despoluir as suas fontes de energia.
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Sete países, com destaque para a Alemanha, Estados Unidos, a China e o Reino Unido, são responsáveis por cerca de 74% da produção de electricidade a partir do biogás.
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No Brasil, a geração de eletricidade através do biogás atinge pouco mais de 420 megawatts por ano, representando menos de 2% da geração de energia, enquanto na Alemanha chega a 7.500 megawatts.
A expansão da produção de energia por meio do biogás no Brasil, porém, vem se acelerando. Desde 2019, tem havido um crescimento de cerca de 9,5% por ano, segundo dados do governo.
Líder mundial da produção de algumas das principais commodities agrícolas, como a soja e cana-de-açúcar, o que não falta no país é matéria-prima para a geração do gás renovável. Não por acaso, o agronegócio vem decolando na produção de biogás. Em 2022, o setor foi responsável por nada menos do que 63% das novas plantas inauguradas.
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Voltado principalmente para o consumo nas próprias fazendas, a produção de biogás demanda investimentos em equipamentos como biodigestores e geradores de energia elétrica, que podem somar cerca de R$ 500 mil.
Para os produtores rurais, o investimento pode compensar pelo aproveitamento de resíduos que seriam descartados e pela garantia de fornecimento permanente de energia elétrica.
Além disso, os maiores grupos estão começando a olhar com carinho para a produção de biometano, atentos ao potencial de mercado. Como pode ser injetado em gasodutos e vendido às indústrias como substituto do gás natural ou do diesel, a expectativa é de um mercado promissor.
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Até 2029, o país deverá contar com uma capacidade instalada de 6 milhões de metros cúbicos por dia, recebendo investimentos de cerca de R$ 9 bilhões, segundo estimativas da Abiogás (Associação Brasileira do Biogás).
Grandes empresas vêm anunciando investimentos de peso no setor. Em outubro, o mercado recebeu a notícia da inauguração de uma planta lançada pela Jalles e a Albioma.
Localizada em Goiás, a usina deverá gerar cerca de 22GW de energia elétrica, vendidos para o Sistema Interligado Nacional, através da biodigestão da vinhaça.
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“Novos projetos devem se beneficiar da evolução tecnológica da produção de gás natural renovável, que tende a se tornar cada vez mais atraente para diversas aplicações. O aproveitamento da vinhaça tem um enorme potencial dada a sua escala e disponibilidade. Há também o aspecto ambiental e da transição energética, no qual o biogás se encaixa perfeitamente.”, diz Christiano Forman, diretor-presidente da Albioma.
“A tecnologia para a produção do gás renovável está em evolução, o que deverá ajudar a reduzir custos. Há também o aspecto ambiental e da transição energética, no qual o biogás se encaixa perfeitamente. Outra dimensão é o aproveitamento da vinhaça, que também é muito interessante”, diz Christiano Forman, diretor-presidente da Albioma.
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De modo geral, o interesse pelo setor tem crescido entre as usinas. A São Martinho anunciou recentemente a construção de sua primeira planta de biometano, mediante investimentos da ordem de R$ 250 milhões, no interior de São Paulo. A operação deve ter início em 2025.
A expectativa é produzir cerca de 15 milhões de metros cúbicos de biometano a cada safra, segundo a empresa, que deverão ser injetados na rede de distribuição de gás da região de Araraquara, no interior de São Paulo.
Algumas informações: Olhar Digital
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