Por: Cerqueiras Portal de Notícias

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Obesidade em idosos: riscos crescentes e o desafio do reganho de peso após tratamentos

Com o envelhecimento, obesidade entre idosos cresce e traz complicações, enquanto o risco de recuperar o peso perdido após tratamentos desperta alerta para novas estratégias terapêuticas.

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No dia 11 de outubro, é celebrado o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, uma data dedicada a alertar a população sobre a crescente prevalência dessa condição. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que, até 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estarão acima do peso globalmente, com 700 milhões enfrentando obesidade. No Brasil, os dados seguem a mesma tendência. De acordo com a pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, a proporção de adultos obesos aumentou de 1 em cada 10, em 2006, para 2 em cada 10 em 2019.

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A situação é alarmante. Em um estudo divulgado pela revista The Lancet, com base em dados de 2022, mais de 1 bilhão de pessoas já são obesas. Entre adultos, os números mais que dobraram desde 1990, enquanto entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos, o número de casos quadruplicou. No total, 43% dos adultos estão com excesso de peso, e os idosos começam a integrar esse quadro preocupante.

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Com o envelhecimento, há uma perda natural de massa muscular, mesmo sem ganho significativo de peso corporal. Isso pode resultar no acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal, o que aumenta o risco de doenças associadas, como problemas cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão e aumento de colesterol, mesmo quando o peso total está dentro de parâmetros normais.

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O Prof. Durval Ribas Filho, médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), destaca a gravidade dessa condição. "O acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal, é um alerta importante, pois pode gerar comorbidades sérias, como doenças cardiovasculares e diabetes", explica.

Outro ponto que o especialista ressalta é que, embora dieta e exercício físico sejam fundamentais no processo de emagrecimento, eles não são suficientes para tratar a obesidade em muitos casos.

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Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA), que analisou 29 pesquisas de longo prazo, mostrou que cerca de 55% das pessoas que perderam peso voltaram a ganhá-lo em até dois anos, e em até cinco anos, 85% recuperaram o peso. “Isso demonstra a importância dos medicamentos antiobesidade. Quando o tratamento farmacológico é interrompido, o reganho de peso é comum”, explica Ribas Filho.

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Diante desse cenário, é necessário adotar uma abordagem multidisciplinar, que vai além da dieta e inclui mudanças no estilo de vida e o uso de medicamentos quando necessário. A farmacoterapia é considerada um pilar importante no controle da obesidade, uma doença crônica complexa que causa impactos tanto físicos quanto psicológicos.

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As pesquisas estão avançando, com novos medicamentos em estudo, que atuam nos hormônios do trato gastrointestinal, responsáveis por regular as funções digestivas. Esses medicamentos representam uma verdadeira revolução no tratamento da obesidade, pois, além de ajudar na perda de peso, mostram eficácia promissora no controle de doenças crônicas como as cardiovasculares e renais.

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Porém, o especialista alerta para os possíveis efeitos colaterais dos medicamentos, como náuseas, diarreia e constipação, especialmente aqueles administrados por meio de canetas antiobesidade. “É comum ver pessoas entusiasmadas com os resultados de amigos ou familiares, mas a obesidade é uma doença crônica e deve ser tratada com o devido acompanhamento médico. Cada paciente tem necessidades únicas e não deve se automedicar”, conclui Ribas Filho.

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Assim, a luta contra a obesidade requer não só disciplina, mas uma abordagem médica individualizada, considerando todos os fatores envolvidos na condição de cada pessoa.

Leia Mais:

Prevenção e conscientização na terceira idade

A prevenção da obesidade na terceira idade é uma questão de saúde pública que requer atenção especial. 

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A conscientização sobre a importância de manter um peso saudável deve ser uma prioridade em campanhas voltadas para idosos, abordando não apenas a alimentação saudável e a prática de atividades físicas, mas também os benefícios de um estilo de vida equilibrado.

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Programas educativos podem ajudar a promover hábitos saudáveis, como a prática regular de exercícios, que não só contribuem para a perda de peso, mas também melhoram a mobilidade, a força muscular e a saúde cardiovascular. 

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Além disso, é essencial que as famílias e cuidadores estejam informados sobre como incentivar uma alimentação nutritiva e a importância do acompanhamento médico regular. 

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Atividades em grupo, como caminhadas e aulas de dança, podem proporcionar um ambiente social positivo e motivador, diminuindo o isolamento e promovendo a saúde mental.

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A relação entre obesidade e doenças neurodegenerativas

Estudos recentes têm sugerido uma ligação significativa entre obesidade e o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e outras formas de demência. A obesidade está associada a um estado inflamatório crônico, que pode afetar a função cerebral e aumentar o risco de deterioração cognitiva.

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Além disso, a obesidade pode contribuir para problemas cardiovasculares, como hipertensão e diabetes, que são fatores de risco adicionais para doenças neurodegenerativas. 

A acumulação de gordura na região abdominal, por exemplo, está relacionada à resistência à insulina e à disfunção endotelial, que prejudicam o fluxo sanguíneo para o cérebro.

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Assim, é fundamental que a prevenção e o manejo da obesidade sejam considerados não apenas para a saúde física, mas também para a preservação da saúde mental e cognitiva na terceira idade.

Dietas da moda e seus perigos

O apelo por dietas da moda e soluções rápidas para a perda de peso é especialmente forte entre os idosos, que podem ser atraídos por promessas de emagrecimento fácil. 

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No entanto, muitas dessas dietas são insustentáveis e podem resultar em deficiências nutricionais, desidratação e outros problemas de saúde.

Algumas dietas extremas podem restringir grupos alimentares essenciais, levando à perda de massa muscular e à diminuição da densidade óssea, condições que já são preocupantes na terceira idade.

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É crucial que os idosos abordem a perda de peso de maneira saudável e equilibrada, evitando modismos que não têm respaldo científico. Consultar profissionais de saúde, como nutricionistas, é fundamental para desenvolver um plano alimentar que não apenas promova a perda de peso, mas também garanta a ingestão adequada de nutrientes.

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Conclusão

A obesidade na terceira idade é uma questão complexa que exige uma abordagem multifacetada, envolvendo prevenção, conscientização e tratamento adequado. 

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A educação sobre hábitos saudáveis, a relação entre obesidade e doenças neurodegenerativas, e a cautela em relação às dietas da moda são aspectos fundamentais na luta contra essa condição. 

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Com o aumento da longevidade da população, é imperativo que desenvolvamos estratégias eficazes para promover a saúde e o bem-estar dos idosos, garantindo que tenham uma vida ativa e plena. 

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A colaboração entre profissionais de saúde, familiares e a sociedade é essencial para criar um ambiente de apoio que incentive a adoção de hábitos saudáveis e melhore a qualidade de vida na terceira idade.

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Fonte: Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) 
Direitos Autorais Imagem de Capa: Ginecomastia; org/Direitos Reservados/ Divulgação


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