Em suas pesquisas, ele alerta que o derretimento de permafrost siberiano e a exposição das camadas profundas do solo podem expor novas ameaças virais com potencial de contaminar humanos.
Ou seja: à medida que o permafrost descongela, vírus dormentes, ou "vírus zumbis", podem ser liberados e, consequentemente, representar uma ameaça.
Claverie mostrou que vírus podem ser revividos após extraídos do permafrost siberiano pela primeira vez em 2014. Saiba mais sobre a carreira do virologista.
Quem é Jean-Michel Claverie?

Claverie nasceu e cresceu em Paris, na França, mas rodou o mundo com o seu trabalho. Segundo a Bloomberg, em 1979, ele recusou um lugar no laboratório do famoso biofísico Alexander Rich para encontrar o biólogo ganhador do Prêmio Nobel Francis Crick em San Diego, nos EUA. Do encontro, veio uma indicação de emprego.
Professor e pesquisador. Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Aix-Marseille, no sul da França, ele já ocupou cargos de pesquisa no CNRS (Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica), no Instituto Salk, no Instituto Pasteur, no Centro Nacional de Informação Biotecnológica dos EUA e na Incyte, uma empresa biofarmacêutica global. As informações são do site Think Global Health.
Laboratório em parceria com a esposa. Também de acordo com o portal, ele criou um laboratório com sua esposa e colega de trabalho, Chantal Abergel. Em 2014, eles criaram o novo campo da "paleovirologia" com a descoberta dos primeiros vírus infecciosos no antigo permafrost da Sibéria.
Caçador de vírus. Claverie pesquisa um tipo específico de vírus que descobriu em 2003.Ele estuda vírus "gigantes", que são muito maiores do que outros tipos de vírus e visíveis sob um microscópio de luz normal.
Pesquisa inspirada por cientistas russos. Ainda segundo a CNN, os esforços de Claverie para detectar especificamente os vírus congelados no permafrost foram parcialmente inspirados por cientistas russos que, em 2012, reviveram uma flor silvestre a partir de um tecido de semente com 30 mil anos encontrado na toca de um esquilo.
Ele pensou que se algo tão complexo como uma planta de floração pudesse ser revivido, então poderíamos esperar reviver vírus também do permafrost.
Chantal Abergel à Bloomberg
Revivendo vírus congelados. Em 2014 e em 2015, o cientista conseguiu reviver vírus que estavam congelados no permafrost. Por motivos de segurança, os vírus escolhidos só poderiam atingter efeitos "desastrosos".
Por que degelo do permafrost é uma das maiores ameaças ao planeta

Um dos maiores desafios que a humanidade enfrenta hoje é como reduzir a produção de gases que estão superaquecendo nossa atmosfera.
O excesso dos chamados gases de efeito estufa está gerando mudanças climáticas que produzem um número maior de fenômenos meteorológicos extremos, como secas e inundações.
Descobrir como podemos reduzir nossas emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases nocivos é um dos objetivos da COP26, a conferência das Nações Unidas sobre clima, que acontece na cidade escocesa de Glasgow.
De gases a vírus, o veneno que é espalhado pelo derretimento das geleiras
Estradas e construções 'derretem' com aquecimento global. Mas enquanto políticos e cientistas debatem como reduzir a queima de combustíveis fósseis e outras atividades poluentes, pouco se fala sobre outra grande fonte de gases de efeito estufa que é potencialmente muito mais perigosa para a nossa atmosfera.
Trata-se do permafrost, uma das maiores reservas de carbono do planeta.
Os cientistas estimam que cerca de 1,5 trilhão de toneladas de carbono estão armazenados no permafrost. Ou seja, o dobro do que há atualmente na atmosfera.
E a má notícia é que esse carbono está sendo liberado na atmosfera, na forma de CO2 e metano, a uma velocidade nunca vista antes na história da humanidade.
Na verdade, especialistas que estudam o permafrost afirmam que hoje ele emite mais carbono do que absorve, passando de reservatório de carbono a fonte de poluição.
E isso faz dele uma das maiores ameaças à nossa atmosfera.
O permafrost , é uma camada do subsolo da crosta terrestre que está permanentemente congelada — daí seu nome — em algumas das regiões mais frias do mundo.
Fica debaixo de uma camada mais fina de vegetação e terra, que os especialistas chamam de "camada ativa", que congela quando a neve ou o gelo estão no topo e derrete quando está mais quente.
Esta camada protege o permafrost, que é composto de terra, rochas, areia e matéria orgânica (restos de plantas e animais), unidos por gelo.
É nesses restos orgânicos que é capturado o carbono que, congelado no subsolo, é inofensivo, mas se liberado em grandes quantidades pode se tornar uma das principais fontes de poluição do planeta.
Julian Murton, professor de Ciência do Permafrost na Universidade de Sussex, explicou à BBC News Mundo (serviço de notícias em espanhol da BBC), que — dependendo das condições da superfície — o carbono pode ser liberado como CO2 ou como metano, que é "30 vezes mais poderoso como gás de efeito estufa".
Embora qualquer camada de subsolo que permaneça congelada por pelo menos dois anos já seja tecnicamente considerada permafrost, Murton observa que "grandes extensões foram criadas durante as eras glaciais."
Este permafrost mais antigo, que tem centenas de milhares de anos, é o mais espesso e profundo, podendo se estender por até 1,5 mil metros abaixo da superfície.
Em contrapartida, o permafrost mais recente costuma ter apenas alguns centímetros de profundidade.
Localização
A maior parte está localizada no hemisfério norte, onde estima-se que quase um quarto dos solos tenham permafrost.
Ele se concentra principalmente na região do Ártico, sobretudo em partes da Rússia (Sibéria), Estados Unidos (Alasca), Canadá e Dinamarca (Groenlândia).
Além do Ártico, ele também é encontrado no planalto tibetano e em regiões de grande altitude, como as Montanhas Rochosas.
No hemisfério sul, há muito menos permafrost do que no norte, porque há mais oceano e menos terra.
Embora os cientistas suspeitem que deve haver terra congelada debaixo da enorme camada de gelo da Antártida, ela é profunda demais para se comprovar.
Sabe-se que há permafrost nas pequenas partes do continente branco onde há solo descoberto.
Também existe nas regiões austrais mais altas, como os Andes, na América do Sul, e os Alpes do Sul, na Nova Zelândia.
Um estudo publicado pelo Departamento de Geografia da Universidade de Zurique, na Suíça, estimou em 2012 que, se todas as áreas de permafrost do mundo fossem somadas, elas somariam cerca de 22 milhões de quilômetros quadrados.
Otimismo
Ainda assim, Murton se mostra otimista.
"Não sou um cientista especialista em carbono, mas estudei o descongelamento do permafrost como geólogo por 30 anos, e se há algo que acho óbvio nesse processo é que ele é reversível", diz ele.
"Quando o permafrost descongela, muitas vezes se formam depressões, e o permafrost cai por uma encosta e é soterrado por sedimentos. É muito comum que essas depressões se estabilizem depois de um tempo e a vegetação cresça em cima, fazendo com que o permafrost não fique mais exposto".
"Não acho que o ciclo de feedback seja inevitável", acrescenta.
O especialista também destaca que o permafrost mais antigo e profundo da Terra já sobreviveu a períodos ainda mais quentes do que o atual.
"Esse permafrost espesso, velho e congelado continuará ali em 100 anos, em 500 anos e certamente mais além", prevê.
Em relação ao "extenso" derretimento do permafrost superficial, para Murton o mais urgente não é seu efeito ambiental, mas seu impacto na vida de milhões de pessoas que vivem nessas áreas.
"Me preocupa mais o efeito na engenharia, porque essas comunidades construíram suas casas e estradas em permafrost, e o degelo dessas terras está gerando todos os tipos de problemas", diz ele, se referindo ao colapso do solo congelado, o tem causado afundamento de terras e inundações.
“Estas mudanças estão afetando a população local muito mais do que as estimativas incertas de emissões de gases.”
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