Relatório do UBS revela crescimento de 1,2% no número de milionários, com projeções otimistas até 2029 e destaque para América do Norte e China como principais motores da nova elite financeira global.
O número de milionários no mundo voltou a crescer em 2024. Segundo o Relatório Global de Riqueza de 2025, divulgado pelo banco suíço UBS, o planeta ganhou 684 mil novos milionários no último ano, o que representa um aumento de 1,2% em relação ao total de 2023. Trata-se de um indicador claro de que a geração e a concentração de riqueza continuam em ascensão.

Com isso, o total de milionários no mundo chegou a quase 60 milhões de pessoas. Esse grupo detém aproximadamente US$ 226,47 trilhões em ativos, uma fatia expressiva da riqueza mundial. O relatório se baseia em dados de 56 mercados, que juntos representam 92% do patrimônio global.
A projeção para os próximos anos é ainda mais significativa. Até 2029, espera-se que mais 5,3 milhões de pessoas passem a integrar esse seleto grupo de milionários. Isso indica uma tendência contínua de crescimento, especialmente em determinadas regiões do globo.
A América do Norte permanece como a principal responsável por impulsionar esse aumento. Os Estados Unidos, em particular, continuam sendo o país com o maior número absoluto de milionários, graças ao dinamismo de seu mercado financeiro, inovação tecnológica e valorização de ativos.
A China também tem se destacado como um dos principais centros de geração de novos milionários. O crescimento acelerado de sua economia, mesmo com desafios recentes, continua favorecendo a ascensão de novos ricos, especialmente nas áreas de tecnologia, manufatura avançada e investimentos.
Apesar de o crescimento parecer positivo à primeira vista, ele também levanta preocupações sobre a distribuição desigual de renda. Enquanto o número de milionários cresce, muitas regiões do mundo ainda enfrentam altos índices de pobreza, desigualdade social e dificuldade de acesso a oportunidades básicas.
O relatório do UBS não se limita apenas a contar milionários. Ele analisa o comportamento da riqueza global, considerando flutuações em mercados de capitais, variações cambiais, políticas monetárias e crescimento do PIB nos países analisados. Esses fatores influenciam diretamente a composição da riqueza individual.
Outro ponto importante é o perfil dos novos milionários. Muitos não herdaram fortunas, mas construíram sua riqueza por meio de empreendedorismo, investimentos e inovações. Há um número crescente de jovens milionários, especialmente nos setores de tecnologia, finanças digitais e startups.
Além disso, o estudo mostra que há uma diversificação geográfica em curso. Países emergentes, especialmente na Ásia, África e América Latina, têm registrado avanços na formação de novas fortunas, ainda que em ritmos diferentes dos centros financeiros mais consolidados.
A digitalização da economia tem desempenhado um papel central nesse processo. Com o crescimento das plataformas digitais, criptoativos e investimentos online, tornou-se mais acessível — embora ainda não igualitário — construir patrimônio com agilidade.
Por outro lado, a inflação global, a instabilidade geopolítica e as mudanças nas taxas de juros também afetam o crescimento da riqueza. Em 2022 e 2023, por exemplo, muitos milionários viram seu patrimônio encolher temporariamente por conta das quedas nos mercados financeiros.
A recuperação em 2024 sinaliza uma retomada da confiança dos investidores e um reaquecimento da economia mundial. Esse movimento favoreceu os detentores de ativos como ações, imóveis e participações em empresas privadas — e são justamente esses ativos que mais influenciam o ingresso no grupo dos milionários.
No entanto, é importante destacar que o conceito de "milionário" considera pessoas com ativos líquidos superiores a US$ 1 milhão, excluindo dívidas. Isso significa que, em alguns casos, a pessoa pode ter um patrimônio alto, mas não necessariamente desfrutar de uma vida de luxo.
A desigualdade na concentração de riqueza ainda é gritante. Apenas uma pequena parcela da população mundial concentra uma grande proporção dos recursos. Isso exige políticas públicas e iniciativas globais mais eficazes para lidar com os desafios da inclusão econômica.
Especialistas apontam que o crescimento do número de milionários deve vir acompanhado de maior responsabilidade social, especialmente em temas como filantropia, sustentabilidade e impacto ambiental. Muitos bilionários e milionários já estão se movimentando nesse sentido, mas ainda há um longo caminho a percorrer.
A educação financeira também tem se mostrado um fator determinante para o aumento de patrimônios individuais. Pessoas que compreendem investimentos, juros compostos e diversificação de ativos têm maiores chances de alcançar independência financeira e, eventualmente, se tornarem milionárias.
O relatório também sugere que haverá mudanças no perfil da riqueza nas próximas décadas. A transferência intergeracional de patrimônio — do chamado "baby boom" para as gerações Y e Z — deve gerar transformações no uso e gestão dos ativos.
Além disso, a tecnologia financeira (fintechs) deve continuar democratizando o acesso a produtos de investimento, ampliando as oportunidades de construção de riqueza para novos grupos sociais, inclusive em regiões historicamente excluídas.
Por fim, o aumento do número de milionários não deve ser visto apenas como uma estatística de crescimento econômico, mas como um espelho das transformações sociais, tecnológicas e culturais do nosso tempo. O verdadeiro desafio será garantir que essa riqueza crescente possa beneficiar a sociedade como um todo.
Algumas Informações: estadao (Instagram)
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