Tristeza, ansiedade e estresse podem aflorar nessa época e ser agravados após dois anos de pandemia. Especialistas apontam as causas e os sinais de alerta. “Por Camila Puertas, psicóloga, e Malu de Falco, psiquiatra”

O fim do ano é sinônimo de fechamento de um ciclo. É o período em que as pessoas se encontram na missão de resolver os problemas inacabados, lidar com o acúmulo de tarefas no trabalho e na vida pessoal em um curto tempo e ainda refletir sobre o que foi feito e o que não pôde ser concluído nos últimos 12 meses.
Tudo isso contribui para o aumento ou o desenvolvimento de quadros de ansiedade e depressão.
Há até quem chame esse fenômeno de síndrome do fim de ano ou dezembrite. Apesar de ser uma época de comemorações, o que parece ser felicidade para uns pode significar tristeza, estresse e desesperança para outros.

Isso gera desconforto, principalmente entre aqueles que viveram perdas devido à Covid-19 ou encaram as dificuldades e os receios da crise econômica.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,3% da população brasileira sofre de ansiedade. Somos o país mais ansioso do planeta.
Diante de um cenário mais caótico, precisamos nos cuidar e nos atentar ainda mais para quadros de tensão e angústia neste período. Eles podem evoluir para transtornos de ansiedade, depressão ou, no contexto do trabalho, burnout.
Além do impacto mental, a síndrome de fim de ano pode ser percebida através de sintomas físicos, como dores de cabeça e na coluna. São os famosos sintomas somáticos, quando o corpo responde a um mal-estar psíquico.
Enquanto a ideia dessa síndrome vem se popularizando, o excesso de pensamentos e demandas que ela traz pode ser relacionado ao que se conhece como paralisia por análise.
É quando se fica paralisado pela sobrecarga de pensamentos e análises frente às atividades e aos planos propostos. Aquela sensação de ter vários afazeres e não saber por onde começar.
Ainda que o mal-estar do fim do ano seja considerado temporário, ele é capaz de assumir um caráter crônico, dependendo da forma que a pessoa lida com essas emoções. Nesse caso, é bem-vindo um suporte profissional.
É hora de procurar ajuda quando percebemos sinais como aumento da sensibilidade no cotidiano, impaciência, angústia constante, sensação de impotência ou insuficiência, estafa mental inclusive aos fins de semana, dificuldade de cumprir tarefas simples, prejuízo no sono, choro fácil, humor deprimido e excesso de pensamentos antecipatórios.
Identificar as emoções e as razões que levam a senti-las, priorizar sua saúde física ao ter uma rotina de sono e praticar exercícios, ter consciência da sua realidade e manter contato com as pessoas que ama proporcionam mais qualidade de vida nessa fase.
E, em relação ao novo ano, lembre-se de estipular metas mais no curto prazo, porque não conseguimos controlar nem prever o futuro.
* Camila Puertas é psicóloga, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Psicologia Médica da Unifesp e integrante do corpo clínico da Remind; Malu de Falco é psiquiatra, preceptora da residência médica da Faculdade de Medicina do ABC e médica das clínicas Remind e Arthur Guerra (SP)
O que é ansiedade?
Cerca de 10% dos brasileiros têm essa condição. Conheça as causas e o tratamento desse transtorno e o que fazer para minimizar seus sintomas.
Quem sofre com a ansiedade não tem tempo para o agora: a inquietação e a agitação fora dos eixos representam uma doença psiquiátrica que atinge 264 milhões de pessoas no mundo inteiro, incluindo 18 milhões de brasileiros.
Aliás, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com a população mais ansiosa do mundo.
Claro que a ansiedade é um sentimento comum e desejável em algumas situações: ela nos mantém vivos e permite que a gente reaja adequadamente a situações de perigo.
O problema é quando o estado de tensão se prolonga e fica exagerado, o que prejudica a saúde da mente e do corpo.
Por isso, é muito importante procurar um especialista para uma análise completa e, se necessário, iniciar um tratamento.
Para saber mais sobre a ansiedade, nós conversamos com o psiquiatra Márcio Bernik, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. O médico explica os sintomas, o diagnóstico, a terapia e a prevenção dessa enfermidade.
Fonte: TV Saúde
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