Webert Brandon Ferreira Marciano, de 27 anos, enfrentou artilharia, drones e campos minados. Apenas cinco dos 25 integrantes de seu pelotão sobreviveram à ofensiva.
Um jovem de 27 anos, natural de Cataguases, na Zona da Mata mineira, protagonizou um dos relatos mais impressionantes de sobrevivência registrados recentemente no conflito do Leste Europeu. O soldado voluntário Webert Brandon Ferreira Marciano conseguiu chegar a um hospital nesta quarta-feira (7) após resistir a ferimentos graves e caminhar por quase três semanas em meio a um cenário de destruição na guerra entre Rússia e Ucrânia.
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O combatente brasileiro atua nas frentes de batalha ao lado das forças ucranianas. A provação extrema teve início durante uma operação militar de alto risco realizada no dia 19 de setembro. Segundo o próprio soldado, a incursão ocorreu já em território russo, região que tem sido palco de intensas disputas e contraofensivas recentes por parte das tropas de Kiev.
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Em um relato pessoal gravado em áudio e enviado ao Site do Marcelo Lopes, Brandon detalhou o momento em que seu pelotão foi duramente atingido. O grupo, inicialmente composto por 25 militares, foi surpreendido por uma série de ofensivas coordenadas, sofrendo baixas quase imediatas diante da superioridade de fogo do ataque inimigo.
Foto: Reprodução
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Artilharia, drones e campos minados
O ataque combinou diferentes frentes tecnológicas e armamentos pesados. O brasileiro relatou que a unidade foi alvo de bombardeios ininterruptos de artilharia, ataques de drones (veículos aéreos não tripulados que mapeavam as posições e soltavam explosivos) e acionamento de minas terrestres escondidas ao longo do trajeto.
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Foi justamente o armamento terrestre que atingiu o combatente de Cataguases. Duas minas explodiram a poucos metros de distância de onde ele estava posicionado. O impacto e os estilhaços provocaram ferimentos graves em um dos seus braços e em uma de suas pernas, incapacitando-o para o combate direto e limitando bruscamente seus movimentos.
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Apesar da extrema gravidade das lesões e do risco imediato de hemorragia no campo de batalha, o soldado teve sorte em relação à integridade do seu corpo. Diferente da realidade brutal enfrentada por muitos mutilados no conflito, a estrutura óssea e vascular de Brandon não foi comprometida ao ponto de exigir a amputação de seus membros atingidos.
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O cenário narrado pelo voluntário expõe a brutalidade e a alta taxa de letalidade da guerra atual. Dos 25 homens que iniciaram a missão no pelotão de Webert Brandon, 20 perderam a vida no campo de batalha, esmagados pelo poderio das forças de defesa russas e pelas explosões no perímetro de avanço.
Foto: Reprodução
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Uma jornada de 20 dias pela sobrevivência
Com a aniquilação de 80% do pelotão, os cinco sobreviventes precisaram iniciar uma angustiante rota de fuga e resgate. Ferido, sentindo dores intensas e com sérias dificuldades de locomoção, o cataguasense ainda precisou reunir forças físicas e psicológicas para auxiliar os companheiros que apresentavam condições clínicas ainda mais severas que as suas.
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A caminhada rumo a um ponto seguro e de extração militar foi descrita como um verdadeiro teste de resistência humana. Sem suprimentos adequados, sob a constante ameaça de novos ataques aéreos e em meio à tensão tática, o grupo precisou avançar de forma extremamente cautelosa, priorizando esconderijos ao longo da difícil jornada.
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Foram necessários longos 20 dias ininterruptos de marcha para percorrer uma distância de apenas 20 quilômetros. A extrema lentidão do deslocamento evidencia o terreno acidentado, o medo de novas emboscadas e, principalmente, a debilidade física extrema e as dores suportadas pelos combatentes feridos durante a fuga.
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A agonia terminou apenas na quarta-feira, 07 de outubro, quando Brandon e os companheiros finalmente conseguiram alcançar uma área segura de resgate. Ele foi imediatamente transferido para uma unidade hospitalar de campanha, onde passou a receber tratamento médico adequado para a desinfecção, estabilização e recuperação de suas lesões.
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O relato também ressaltou o drama pessoal de seus companheiros de farda. Entre os cinco únicos sobreviventes que conseguiram escapar com vida do ataque, o saldo físico foi devastador. Segundo Brandon, de todo o grupo que se salvou, ele foi o único militar que não sofreu amputações e não perdeu membros devido aos explosivos.
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O contexto dos voluntários estrangeiros
A impressionante história do soldado de Cataguases reflete a dura realidade enfrentada por milhares de voluntários internacionais que se alistaram na Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia. Muitos brasileiros, motivados por experiência militar prévia, contratos ou idealismo, têm atuado nas perigosas linhas de frente, onde as baixas são severas e as condições de resgate costumam ser extremamente precárias.
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Agora, abrigado em um leito de hospital, o jovem soldado enfrentará um considerável período de recuperação física e psicológica longe do front. Seus familiares na Zona da Mata mineira acompanham a distância a evolução de seu estado de saúde, aliviados com o desfecho de sobrevivência após os 20 dias em que o militar lutou não apenas para derrotar o inimigo, mas para se manter vivo.
Algumas informações: Site do Marcelo Lopes / Guia Miraí
Síntese da Matéria
🪖 O Caso: O soldado voluntário brasileiro Webert Brandon Ferreira Marciano, de 27 anos (natural de Cataguases/MG), sobreviveu a um ataque massivo na guerra da Ucrânia.
💥 A Emboscada: O pelotão de 25 homens foi atacado no dia 19 de setembro, em território russo, por artilharia, drones e minas terrestres. Apenas 5 soldados sobreviveram à investida.
🩸 Os Ferimentos: Duas minas explodiram perto do brasileiro, ferindo gravemente seu braço e sua perna, mas ele não precisou passar por amputações.
🚶 Fuga Extrema: Ferido, o militar caminhou por 20 dias para cobrir um trajeto de cerca de 20 quilômetros, auxiliando companheiros machucados, até chegar a um hospital na quarta-feira (7).
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