Por: Guilherme Gouvea

Publicado em

Técnica inédita salva usuário de vape que perdeu pulmões aos 34 anos

Médicos usaram silicone para preencher lugar dos pulmões enquanto paciente fumante esperava por transplante Bruno Bucis

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O norte-americano Davey Bauer, de 34 anos, teve sua vida salva graças a uma solução inusitada. Grandes impantes de silicone foram colocados no interior de sua caixa toráxica para mantê-lo vivo enquanto ele esperava por um transplante duplo de pulmões.

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Segundo os pneumologistas que o atenderam, isso deu mais tempo ao corpo de Bauer para esperar a doação de um órgão compatível. O uso do silicone nunca tinha sido testado para este fim.

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O caso de Bauer
O paisagista e skatista começou a ter problemas de sáude em abril deste ano, quando começou a se sentir extremamente sem fôlego quando trabalhava ou praticava esportes. Bauer fumava desde os 21 anos e usava vape desde 2014.

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Já na primeira vez que buscou ajuda para investigar o problema, Bauer foi internado. E, durante a realização de exames, os médicos descobriram que seu caso era bem mais grave do que parecia.

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O sistema respiratório do rapaz estava em falência e ele começou a ter uma grave insuficiência cardíaca. A solução encontrada pela equipe para mantê-lo vivo foi colocá-lo em ECMO (oxigenação por membrana extracorpórea), uma máquina que realiza as funções do coração e do pulmão.

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O procedimento, no entanto, não foi suficiente para recuperar os pulmões de Bauer e ele recebeu indicação para um transplante duplo de pulmão.

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“O coração dele parou e ele teve de ser ressucitado pela equipe médica no mesmo dia em que havíamos decidido pelo transplante”, afirmou o cirurgião toráxico Ankit Bharat, responsável pelo paciente, em entrevista à CNN. “Ele estava morrendo e precisávamos criar uma estratégia para dar mais tempo a ele”.

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Silicone no lugar do pulmão
Os médicos decidiram, então, retirar os pulmões adoecidos de Bayer para eliminar focos de infecção em seu corpo.

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As doses de antibióticos foram reforçadas e o paciente começou a responder melhor ao combate à infecção. No entanto, havia um problema sério: o coração e os pulmões trabalham em conjunto e ocupam um espaço em comum. Manter o corpo sem os pulmões destrói as vias de comunicação entre os órgãos e pode fazer o coração “cair” dentro da caixa toráxica.

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“Tivemos que criar um mecanismo para manter o coração no centro do corpo”, lembra Bharat. “Tivemos então a ideia de colocar os silicones dentro da cavidade toráxica para manter o coração onde estava e sem danificar as artérias que seriam fundamentais quando ele recebesse os novos pulmões.

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O transplante
Os médicos removeram os pulmões de Bauer e um órgão para transplante ficou disponível no dia seguinte. Os cirurgiões removeram os implantes mamários substitutos e inseriram os pulmões no rapaz. Desde então, ele se recupera bem, segundo os médicos.

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Consequências do uso do cigarro eletrônico

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O uso cada vez mais frequente do cigarro eletrônico, principalmente entre os jovens – que curiosamente não se intitulam fumantes –, é motivo de preocupação tanto para os pais quanto para os órgãos de saúde. Afinal, esses dispositivos (também chamados de “vapes”) levam nicotina e substâncias tóxicas aos pulmões, além de promover danos e complicações ao sistema respiratório e cardiovascular.

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Outro fator muito sério quanto ao risco do uso do cigarro eletrônico é que esse se tornou um dispositivo de fácil acesso aos adolescentes, que ainda estão com o sistema nervoso em desenvolvimento. Assim, a nicotina e as substâncias ali presentes têm potencial de desencadear anormalidades no desenvolvimento cerebral.

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Riscos do uso de cigarro eletrônico
O sabor adocicado do cigarro eletrônico engana muitas pessoas, que chegam a pensar que se trata de um hábito menos danoso do que o cigarro convencional. Mas, isso não é verdade! Aqueles que usam vapes estão mais predispostos a desenvolver diversos tipos de câncer (principalmente de pulmão, esôfago, estômago e bexiga), doenças pulmonares como o enfisema e doenças cardiovasculares.

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Além disso, por suas partículas serem mais finas do que os cigarros manufaturados, elas podem alcançar estruturas mais profundas dos pulmões, como os alvéolos, e cair na circulação sistêmica, aumentando assim o risco de doenças cardiovasculares e óbito.

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Já o uso do cigarro eletrônico por muitos anos predispõe o paciente a desenvolver enfisema pulmonar, uma doença degenerativa crônica que causa dificuldade respiratória e uma sensação de falta de ar que vai se tornando constante conforme a doença progride.

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Sintomas e tratamentos
Devido a tantas consequências negativas que o cigarro eletrônico pode causar ao usuário, em 2019 foi dado um nome para a doença causada por esse hábito: Evali (Doença Pulmonar Associada ao Uso de Produtos de Cigarro eletrônico ou Vaping). 

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Mundo das Utilidades

Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumonia e Tisiologia (SBPT), a Evali pode causar fibrose pulmonar, pneumonia e insuficiência respiratória.

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Nos EUA, de 2019 a 2020, houve registro de 2.741 pacientes hospitalizados por Evali, com 68 mortes confirmadas. O tempo médio de uso do vape nesses pacientes foi de 12 meses e a faixa etária média era de 24 anos. Portanto, é fundamental ficar atento aos sintomas respiratórios que o cigarro eletrônico pode causar e que podem indicar doenças graves, como Evali e o enfisema pulmonar, tais como:

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-Falta de ar ou sensação de não estar inalando ar suficiente;
-Tosse;
-Produção de muco;
-Respiração ofegante.

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O tratamento mais importante para o enfisema, para o Evali e outras condições associadas ao cigarro eletrônico é parar de fumar, independente do grau de avanço da doença. Na sequência, o pneumologista definirá o melhor tipo de tratamento para cada caso, que pode incluir o uso de broncodilatadores inalatórios (bombinhas), corticoides, terapia com oxigênio, cirurgia de redução dos pulmões ou até mesmo transplante pulmonar.
 

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Fonte: Metrópoles


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