Por: Cerqueiras Publicidades

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Terapia genética permite que crianças com deficiência auditiva voltem a escutar na China

Um estudo liderado por pesquisadores de uma instituição de Xangai, na China, obteve resultados promissores na recuperação da audição de crianças. 

Cientistas da Universidade Fudan utilizaram terapia genética a fim de tratar dez crianças com deficiência auditiva congênita. 

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O tratamento consiste em introduzir no organismo cópias de um gene ligado à perda da audição por meio da aplicação de um vírus que carrega o material genético.

O tratamento é voltado para pessoas cuja deficiência é causada por um defeito no gene que produz uma proteína chamada otoferlina.

Ela é responsável por possibilitar que células do sistema auditivo transmitam as substâncias que levam informações ao cérebro.

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 Esses casos correspondem a apenas 1% a 3% das pessoas com deficiência auditiva congênita, mas os pesquisadores dizem ter esperança de que o estudo possa ser porta de entrada para novas pesquisas sobre a recuperação auditiva.

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Segundo Yilai Shu, cirurgião e cientista que lidera a pesquisa, as crianças que ouviam sons apenas acima de 95 decibéis já escutam no volume de 50 a 55 decibéis, o que corresponde ao som de uma conversa normal. 

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Os resultados dos primeiros cinco paciente tratados por Shu serão apresentados na reunião da Sociedade Europeia de Terapia Genética e Celular, mas a revista do MIT Technology Review já define o estudo como a mais impressionante restauração de um dos cinco sentidos já alcançada

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A terapia regenerativa consiste em injetar moléculas no ouvido interno, que transformam as células progenitoras existentes em outras células.

 A partir delas, outras células ciliadas podem ser desenvolvidas dentro da cóclea.

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A abordagem é mais simples que muitas terapias regenerativas, que normalmente precisam reprogramar as células do paciente em laboratório antes de inseri-las novamente.

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No futuro, a equipe espera que a técnica tenha efeitos duradouros e que seja tão simples quanto a cirurgia Lasik, onde “você entra e sai em uma ou duas horas e pode restaurar completamente sua visão”, disse Jeff Karp, cofundador da Frequency.

 “Acho que teremos a mesma coisa para a perda auditiva”, acrescentou.

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Agora, a Frequency está recrutando 124 pessoas para um teste clínico, cujos resultados preliminares devem estar disponíveis no início de 2023.

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Irmãos Gonçalves

Empresas já estão começando testes clínicos com o objetivo de restaurar a audição de crianças com um defeito genético raro que causa surdez — são as estadunidenses Akouos e Decibel Therapeutics, enquanto uma terceira, Sensorion, tem planos para fazer o mesmo na França. O gene alvo é conhecido como OTOF, e os testes devem inserir cópias dele ao ouvido interno por uma terapia genética de aplicação única, com efeitos duradouros.

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Entre 50% e 60% dos casos de perda auditiva em bebês têm causas genéticas, e destes, 8% vêm de mutações no gene OTOF. Estima-se que 20.000 pessoas entre Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, Itália e Estados Unidos sejam acometidas pela condição, que faz os pacientes não terem a proteína otoferlin, necessária para a audição.

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À Wired, Vassili Valayannopoulos, presidente e chefe de pesquisas clínicas da Decibel Therapeutics, contou que o plano é restaurar a audição no início da vida dos pacientes, para que possam interagir com o ambiente com todo o espectro dos sentidos e amplitude de sons. Já o CEO da Akouos, Manny Simons, também à Wired, afirmou que a perda auditiva pode ter um impacto profundo no desenvolvimento cognitivo e saúde psiquiátrica.

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Falta e restauração da audição
A audição é um processo corporal complexo. Ele começa com milhares de células capilares sensoriais no ouvido interno, que recebem ondas sonoras. Com isso, elas vibram e liberam mensageiros químicos (neurotransmissores), que ativam um sinal elétrico no nervo acústico, enviado à parte do cérebro que interpreta os sons. O otoferlin é como um interruptor que controla a liberação desse neurotransmissor. Quando ele não existe, o som até chega às células, mas o mensageiro químico nunca é liberado.

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O plano das companhias é levar cópias funcionais do OTOF aos capilares dos ouvidos para estimular a produção de otoferlin, restaurando a audição. Isso é feito através de uma pequena incisão atrás dos ouvidos e infusão na cóclea, parte espiralada do ouvido interno onde também são instalados os implantes cocleares.

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W Aluminium


A terapia deverá ser aplicada na cóclea, no mesmo local onde são colocados os implantes cocleares, popularmente conhecidos como aparelhos auditivos (Imagem: Wavebreakmedia/Envato)

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Também conhecidos como aparelhos auditivos, eles são eletrodos que estimulam o nervo acústico, mas não providenciam audição "natural" — os sons podem ficar robóticos ou metálicos, e o implante não consegue transmitir a complexidade da música ou distinguir fala de sons de fundo.

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Irmãos Gonçalves

Com a terapia genética, pode ser gerada uma habilidade mais natural de entender a fala e impressões sonoras mais complexas, como a música. Como os implantes cocleares podem acabar danificando os capilares, as empresas buscam crianças que nunca os utilizaram — a Decibel Therapeutics já reuniu 22 voluntários, que serão acompanhados por cinco anos, e a Akouos deve receber até 14 deles.

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Testes já foram realizados em camundongos que não produziam otoferlin, e funcionaram. A eficiência foi medida com eletrodos implantados na cabeça dos roedores, que informam se o cérebro está respondendo aos sons. O mesmo deverá ser feito nas crianças.

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Mundo das Utilidades


Embora a terapia só planeje tratar a surdez genética rara causada pelo gene OTOF, há planos de desenvolver métodos semelhantes para outros problemas genéticos que causem a condição (Imagem: Peggy und Marco Lachmann-Anke/Pixabay)
 

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BibiCar


Outras terapias genéticas já falharam, como uma da empresa Novartis, que buscava modificar as células de suporte para transformá-las em capilares novos, mas descobriu-se que os participantes, já idosos, não tinham muitas células de suporte, não melhorando significativamente a audição.

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Apesar de participantes com até 18 anos poderem participar, os cientistas preferem crianças, já que acreditam que a terapia genética funcione melhor nos primeiros estágios da vida. O sistema auditivo passa por um processo de maturação, e não se sabe como seria o efeito ao aplicar as células após esse processo, ou seja, como um sistema que já amadureceu sem som processaria uma nova informação totalmente diferente.

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Os testes são só para quem tem o caso raro envolvendo o gene OTOF, mas as companhias acreditam que outras causas genéticas de surdez possam, no futuro, ser tratadas com procedimentos semelhantes.

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Fonte: Terra


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