De acordo com uma pesquisa, o livro mais extenso já lido por 66% dos adolescentes brasileiros de 15 e 16 anos não passou de 10 páginas.
Para especialistas, hábito deve vir dos pais e não imposto em troca de benefícios.
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Dentre os 81 países avaliados pelo ranking do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), o Brasil ocupa apenas a 52ª colocação no quesito leitura.
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Os alunos brasileiros atingiram 410 pontos, bem menos do que a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que ficou entre 472 e 480.
Alarmante, o dado reflete a histórica relação ruim do brasileiro com os livros.
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De acordo com a última pesquisa Retratos da Leitura – feita pelo Instituto Pró-Livro, Itaú Cultural e Ibope Inteligência e divulgada em 2020 –, o país teve uma queda de 4,6 milhões de leitores em quatro anos.
Apenas 31% dos entrevistados declararam ter lido um livro inteiro nos últimos três meses.
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Autor do livro Faça-os ler – Para não criar cretinos digitais, o neurocientista francês Michel Desmurget enfatiza que "a leitura é uma espécie de herança que os pais passam para os filhos". "Não há solução milagrosa para perpetuar esse legado", comenta ele.
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O neurocientista diz que o ideal é combinar pelo menos três táticas: "Primeiro, promover a leitura. Uma criança tem mais probabilidade de se tornar um ávido leitor se for incentivada a ler, visitar bibliotecas, discutir sua leitura, for informada sobre a importância da leitura e vir seus pais lendo."
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Outro ponto é demonstrar que a leitura é um prazer, mais do que uma obrigação. "Se ler for entendido como uma tarefa ou, pior, uma dor, a criança abandonará o hábito na primeira oportunidade", acredita. Para isso, ele sugere que pais estimulem os pequenos desde muito cedo, com leituras compartilhadas.
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Já a terceira dica de Desmurget é aquela que parece mais difícil nos tempos atuais: limitar o tempo de tela: "Mesmo que uma criança goste de ler, ela não vai ler se seu tempo for consumido por videogames, séries e desenhos animados."
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Nesse ponto, ele faz um alerta: não cometer "o erro comum" de negociar o tempo de tela como pagamento após um determinado momento de leitura. "Isso fará com que ler pareça uma tarefa e as telas, o paraíso", alerta.
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Exemplo de casa

Os dados mostram que essa dificuldade é a ponta do iceberg de um país onde obras literárias não fazem parte do dia a dia.
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Segundo a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, divulgada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em dezembro, 84% dos brasileiros maiores de 18 anos não compraram nenhum livro nos últimos 12 meses.
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Enquanto isso, mais de 50% dos entrevistados declarou que sua principal atividade de lazer são as redes sociais.
Nada indica que isso vá mudar na geração seguinte.
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"Os pais muitas vezes se perguntam como podem melhorar a vida de seus filhos, tornando-as mais felizes e fáceis. Uma dessas possibilidades é incutir neles o amor pela leitura", ressalta Desmurget. "Poucas atividades produzem benefícios tão significativos com um investimento tão modesto".
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Para criar o hábito, o exemplo é essencial. "Se o pai, a mãe ou o cuidador tem o hábito da leitura, pega um livro, se diverte com ele, comenta determinado trecho, já é extremamente importante. Isso vai definindo e criando um lastro de exemplo a ser seguido", defende o psicólogo Cristiano Nabuco, PhD em tratamento de dependências tecnológicas.
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Mestre em psicologia educacional e do desenvolvimento humano, o psicólogo Leo Fraiman ressalta que "é importante conversar [com os filhos] sobre livros que o marcaram e criar o hábito".
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"A leitura está para o cérebro como a ginástica está para o corpo. Diversos estudos internacionais comprovam que a leitura traz inúmeros benefícios em diversas áreas da nossa vida. Assim, é importante não somente direcionar o filho para que leia, mas criar uma habilidade e uma cultura a partir desse hábito", comenta ele, que é autor do livro A síndrome do imperador - Pais empoderados educam melhor.
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Fraiman ressalta que "a leitura não é apenas aquilo que podemos obter a partir de um livro". Assim, todos os estímulos para que a criança absorva cultura fora das telas são válidos: frequentar teatros, observar outdoors e grafites, despertar o desejo pelo conhecimento.
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O poder da imaginação

O psicólogo Cristiano Nabuco compara o livro com o multimídia onipresente no mundo digital.
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"Quando ofereço um conteúdo audiovisual para uma criança, por exemplo um marinheiro em um navio no meio do mar, tudo está pronto. Mas quando eu leio, forço a criança a imaginar. É ela quem vai criar o tipo da onda, o tamanho do barco, pensar se o tempo está bom, se tem gaivotas…", explica Nabuco.
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"Isso produz o que chamamos de desenvolvimento cognitivo maior".
Desmurget lembra que ler melhora o funcionamento intelectual, mas não só.
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"Também estimula significativamente nossa inteligência emocional e social. Os livros nos permitem, literalmente, entrar na mente dos personagens, experimentar suas emoções e entender a lógica por trás de suas escolhas. Em última análise, leitores de ficção têm mais empatia e maior capacidade de entender os outros e a si mesmos", acrescenta.
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"No final, todas essas influências contribuem muito para o sucesso acadêmico e profissional", enfatiza o francês.
Algumas informações: DW
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