Apreensão de 1,5 tonelada de cocaína em navio é a maior da história do ES
Material foi localizado em embarcação e tinha como destino a Alemanha. Polícia Federal investiga participação de tripulantes. (Assista ao vídeo no final da matéria)
A apreensão de mais de 1,5 tonelada de cocaína em um navio, no Porto de Vitória, vindo de Hamburgo, na Alemanha, é a maior da história do Espírito Santo, com base em levantamentos da Polícia Federal e da Receita Federal.
“Até onde nós conseguimos fazer um levantamento, a partir do passado, até agora nós não encontramos nenhum outro caso em que uma única embarcação em portos do Espírito Santo tivesse uma quantidade de droga tão grande como essa apreensão de ontem”, declarou o chefe da Alfândega de Vitória, Douglas Koehler.
“Isso mostra que o Espírito Santo é um Estado onde ocorre uma ação em conjunto que tem a capacidade, possibilidade, meios de desarticular e produzir um impacto tão grande em criminosos. Isso é de um valor enorme.
A gente fica falando em peso, mas a tradução financeira disso é altíssima, então é algo que causa bastante impacto dentro do país e para o nosso Estado. Mostra que aqui não é um lugar seguro para fazer tráfico”, prosseguiu.
Apesar de citarem que o volume da droga apreendida representa uma quantia financeira alta, o valor não foi revelado pelas autoridades. Conforme explicado pela Polícia Federal, após a apreensão e finalização da pesagem, a cocaína será incinerada e destruída.

Tripulantes serão investigados
Operação encontra 1,5 tonelada de cocaína em navio no Porto de Vitória. (Polícia Federal)
As investigações mostraram que o navio com a cocaína era utilizado em uma rota internacional de tráfico de drogas, que saía do Brasil com destino à Europa. Quando atracou em Hamburgo, na Alemanha, a polícia alemã encontrou 400 kg de cocaína na embarcação.
O navio então voltou ao Brasil e a Polícia Federal do Espírito Santo recebeu a denúncia de que ainda havia 1,5 tonelada do entorpecente escondido, não encontrada pelos policiais alemães. A embarcação iniciou novamente o percurso para a Europa. Quando foi atracar no Porto de Vitória, trazendo veículos, os policiais federais e os agentes da Receita fizeram uma varredura e encontraram o restante da droga.
Diferentemente de outras apreensões ocorridas no Estado, quando drogas eram colocadas em cascos ou em caixas de máquinas de navios por mergulhadores, o material foi encontrado no interior da embarcação e foi içado (puxado para cima) por cordas.
A região onde a cocaína foi colocada inicialmente no navio não foi informada, mas o superintendente da Polícia Federal no Espírito Santo, Eugênio Ricas, garantiu que isso não ocorreu em território capixaba.
Ricas explicou que, como os entorpecentes foram içados, pode ter havido participação de tripulantes do navio. Por conta disso, todos tiveram as digitais colhidas e não podem deixar o Brasil até que a comparação seja finalizada.
"Pretendemos não liberar a saída dos tripulantes do Brasil até que a gente tenha o resultado das comparações de impressões digitais. Quem for identificado poderá ser preso. Isso é importante porque depois que essas pessoas saem do Brasil, não temos mais controle. Há uma suspeita muito grande que teve participação de algum tripulante para colocar a droga no navio”, pontuou.
Ao todo, são 28 tripulantes, a maioria de origem filipina.
Segundo a Polícia Federal, todos serão liberados, caso nada fique comprovado. Mas caso não dê tempo, o armador do navio pode pedir a substituição da tripulação e solicitar seguir viagem.
Rotas aquaviárias que ligam a costa brasileira aos portos europeus e africanos são usadas por grandes organizações criminosas
Em meio às exportações brasileiras que movimentam mais de 350 milhões de toneladas de mercadorias ao ano, o Metrópoles revela, nesta reportagem investigativa, como operam as engrenagens movidas por grupos criminosos que têm como base países no leste, oeste e sudeste europeu. As quadrilhas bancam operações milionárias para que toneladas de cocaína cruzem o Atlântico em segurança.

Rivais ferozes no mundo do crime, as duas maiores facções do país, a paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e a carioca Comando Vermelho (CV), foram flagradas pela Polícia Federal em uma parceria inédita, e até surpreendente, viabilizando a logística que promove o envio da droga para fora do Brasil.
O chamado tráfico em rede é compartimentado e explora a expertise de cada um dos grupos criminosos, sempre em nome dos milhões de reais que caem no caixa das facções. Um tipo de profissional é vital para fazer esse mecanismo ousado não parar de girar: o mergulhador. É função dele fazer a chamada “contaminação” das cargas acondicionadas nos porões dos cargueiros de pó.

São os mergulhadores que entram em cena no momento mais sensível da complexa operação delituosa. A cocaína que ganha os portos brasileiros é produzida na Bolívia e no Peru. Em caminhões, disfarçada no meio de toda a sorte de produtos, ela atravessa as fronteiras e cruza milhares de quilômetros até chegar às regiões litorâneas.
Após vencer essa etapa terrestre, o PCC e o Comando Vermelho acionam o seleto grupo de mergulhadores altamente qualificados. Para terem mais mobilidade e velocidade em águas profundas, esses especialistas usam um equipamento chamado scooter subaquático.
O aparelho permite que se aproximem dos navios mais rapidamente do que a nado. O tempo de operação é uma das variáveis de risco: quanto mais veloz for o serviço, menos risco de serem flagrados e presos.
O esquema é tão engendrado que o PCC, por exemplo, enviou até mesmo traficantes para serem treinados por guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias (Farc), na Colômbia. O objetivo é fazer com que eles adquiram técnicas de sobrevivência na selva e usem as matas fechadas para esconder os carregamentos de pó antes de serem entregues aos mergulhadores.
No bilionário mercado mundial do tráfico, os mergulhadores passaram a ser recrutados a peso de ouro.
Estima-se que as transações envolvendo o narcotráfico mundial rendam cerca de 900 bilhões de dólares ao ano, o equivalente a 35% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, ou 1,5% do PIB mundial. De acordo com as autoridades, parte desse montante é engordado pelo tráfico brasileiro que alimenta o mercado europeu da droga.
Um dos braços econômicos mais fortes do país, a exportação por rotas marítimas movimenta, anualmente, cerca de 200 bilhões de dólares e garante ao Brasil lugar de destaque entre os 25 maiores exportadores mundiais.
Os dados são da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Em um jogo de gato e rato, as autoridades travam uma batalha com o narcotráfico a fim de manter as operações legais de exportação livres do transporte clandestino de cocaína.
Fonte: A Gazeta / Metrópoles / CNN
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