O VSR pode afetar pessoas de todas as idades, mas é essencial que adultos com 60 anos ou mais e com comorbidades estejam em alerta.
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O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é frequentemente associado a bebês e crianças, por estar relacionado à bronquiolite¹‚². O vírus também merece atenção especialmente por seu impacto na população idosa, vulnerável a complicações e infecções respiratórias graves.
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"Na população idosa, os principais riscos para o organismo são os danos em trato respiratório, como quadros de pneumonia e/ou exacerbação de doenças pulmonares crônicas, como asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), além de descompensação de insuficiência cardíaca e diabetes", explica a Dra. Lessandra Michelin (CRM 23494-RS), infectologista e gerente da GSK, biofarmacêutica multinacional presente em mais de 80 países.
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Segundo a infectologista, a vulnerabilidade de pessoas com mais de 60 anos se dá pelo enfraquecimento natural do sistema imunológico, que não consegue combater adequadamente infecções. "Bebês e idosos têm maior probabilidade de desenvolver quadros graves pelo VSR e necessitar de hospitalização, assim como pacientes imunodeprimidos.(...)
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(...) Nos extremos da faixa etária, a imunidade está diferente. Idosos estão no período de imunossenescência, no qual há diminuição do número e quantidade de células de defesa. Assim, ficam mais suscetíveis a quadros infecciosos mais frequentes", completa a especialista.
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"As infecções pelo VSR são reconhecidas como uma das principais causas de hospitalizações e óbitos em crianças pequenas e idosos", complementa a Dra Tânia Chaves (CRM 72849-SP), médica infectologista, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e que atualmente desenvolve um pós-doutorado sobre VSR em adultos.
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O que é o VSR?
O Vírus Sincicial Respiratório apresenta sintomas similares aos de um resfriado, como febre, dores de cabeça, coriza, cansaço, dor de garganta, congestão e tosse.
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Dra. Tânia Chaves explica mais: “Em idosos, os sintomas clínicos da infecção pelo VSR podem ser muito parecidos com os da infecção pelo vírus Influenza por exemplo, com exceção da febre, potencialmente mais baixa ou ausente. A transmissão ocorre através de contato direto ou próximo com secreções contaminadas, como gotículas”.
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O quadro do VSR pode durar até duas semanas, e os sintomas podem evoluir rapidamente em pessoas idosas e imunodeprimidas¹‚⁴‚⁵: “Em média a doença dura de 5 a 14 dias. A transmissão ocorre de 3 a 8 dias, mas imunodeprimidos podem transmitir por até 14 dias. Os sintomas podem evoluir com falta de ar, dificuldade de respirar e chiado no peito”, analisa a Dra. Lessandra Michelin.
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VSR e as comorbidades
A infecção pelo VSR pode dificultar a vida de pessoas adultas que já lidam com outros problemas de saúde, mesmo se o indivíduo for mais jovem.³‚⁶‚⁷ Pessoas que vivem com condições como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), asma, diabetes e insuficiência cardíaca são mais suscetíveis a tipos mais graves da doença, e correm mais risco de hospitalização.
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“Com o passar dos anos, conforme vamos envelhecendo, o nosso sistema imunológico normalmente vai enfraquecendo e, com isso, tem mais dificuldade em combater infecções. E, em indivíduos adultos e idosos que possuem comorbidades, esse risco é ainda maior. Estudos mostram que a infecção por VSR pode ser uma causa significativa de exacerbações de DPOC e asma.(...)
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(...)Idosos com DPOC podem ter até 13 vezes mais probabilidade de serem hospitalizados devido a complicações do VSR. Portadores de asma podem ter até 3,6 vezes mais possibilidade de hospitalizações, e aqueles que têm diabetes podem ter até 6,4 vezes mais. Já para idosos com insuficiência cardíaca congestiva, a doença também pode ser preocupante: eles possuem até 7,6 vezes mais riscos de serem hospitalizados”⁶‚⁸ , explica a Dra. Lessandra Michelin.
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Mudanças pós-pandemia da Covid-19
Pós-pandemia, especialistas entrevistados apontam para uma mudança no padrão de contágio.
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“O que sabemos é que, após a pandemia, houve um aumento de circulação do VSR em todas as faixas-etárias. Ele perdeu aquela sazonalidade e passou a circular de forma mais intensa no mundo inteiro. Com o isolamento durante o período pandêmico, há uma redução do número de pessoas que têm anticorpos desenvolvidos a partir da exposição ao VSR, principalmente em relação às crianças, que são os grandes transmissores.(...)
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(...) As crianças se infectam e transmitem isso dentro de casa para os adultos, inclusive pais e avós”, analisa o Dr. Alberto Chebabo (CRM 477743-RJ), Diretor Médico do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho/UFRJ e Presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia de 2022 a 2025.
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Para Chebabo, outra questão importante é que a pandemia trouxe uma maior acessibilidade a exames de biologia molecular, facilitando o diagnóstico preciso do VSR.
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“Hoje, passamos a fazer o diagnóstico do que antigamente a gente chamava de virose. O que era uma virose que a gente antigamente não sabia o agente etiológico, hoje a gente dá nome: é Covid, é Influenza, é VSR, é Adenovírus… Assim, a gente passa a ter uma noção maior da distribuição desses vírus e vê que o VSR tem uma participação importante em termos de infecção”.
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Contágio
O VSR pode ser transmitido pelo ar, por toque e por objetos contaminados, além de poder permanecer em determinadas superfícies.
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“O vírus pode permanecer viável em mãos contaminadas por mais de meia hora, e por algumas horas na superfície de objetos contaminados, dependendo do tipo de superfície e da temperatura e umidade do meio ambiente.(...)
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(...) Crianças e imunocomprometidos infectados excretam vírus por longos períodos, aumentando o risco de transmissões, principalmente em serviços de saúde e instituições de longa permanência.”, alerta a Dra. Tânia do Socorro Souza Chaves.
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Além do alto índice de contágio, outro fator importante é que não existe tratamento específico para adultos e idosos com VSR, conforme explica o Dr. Alberto Chebabo.
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“Esse é um vírus que tem crescido em termos de importância e número de infecções na população com mais de 60 anos, e não temos um tratamento específico antiviral direcionado para essa população”.
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Como prevenir:
O VSR não possui um tratamento específico e tem alto potencial de transmissão, a prevenção é feita com cuidados como lavagem de mãos, manter ambientes limpos e ventilados, cuidar para usar um lenço descartável ao tossir ou espirrar.
Além dessas medidas, em alguns países, já é possível fazer a prevenção através de vacinação indicada para adultos com 60 anos ou mais.
Algumas informações: Jornal Terra
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